
“Ainda estou sonhando. Não acredito que tudo isso está acontecendo.” Com essas duas frases Flávia Lima, produtora rural de Firminópolis, no Oeste Goiano, fala da emoção de estar entre as cinco finalistas da etapa nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, com premiação agendada para 17 de novembro.
Única representante de Goiás na premiação nacional em 2026, Flávia atribui sua conquista aos ensinamentos e à formação familiar que recebeu. “Além de me ensinar a ser honesta e ter amor pela terra, com meus pais aprendi tudo que produzo. Mas da porteira para fora, quem me ensinou a comercializar e precificar meus produtos foi o Sebrae. Sou muito grata por todos os ensinamentos que tive e a Deus que sempre me mostrou o caminho a seguir”, afirma.
A gestora estadual de Empreendedorismo Feminino do Sebrae Goiás, Vera Oliveira, também celebra a conquista, já que foi a primeira vez que o estado tem uma representante na categoria Produtora Rural. “É um orgulho termos uma produtora rural goiana. E ainda em um município que não chama muita atenção pelo do ponto de vista da pujança econômica. A cidade agora vai ser conhecida nacionalmente com essa classificação”, destaca.
Vera lembrou que Goiás, nas últimas edições, teve grande participação no prêmio e que isso reafirma não só a qualidade, mas a beleza das histórias das empreendedoras do estado. “Conquistar a vaga de finalista na etapa nacional mostra o desenvolvimento do ponto de vista da maturidade empreendedora das mulheres goianas. A iniciativa vem com esse olhar de dar visibilidade para aquelas mulheres que, às vezes, não percebem o impacto do que elas vêm fazendo e a importância da sua trajetória empreendedora. O Sebrae traz luz a isso”, comemora.
Essa era uma realidade para Flávia Lima, que diz nunca imaginar o quão impactante era sua história. “Nunca imaginei que minha história poderia servir de inspiração para outras pessoas. Nós, mulheres, devemos sempre buscar capacitação e independência financeira, e o Sebrae me ajudou muito em todo esse processo. Com esse reconhecimento meu objetivo agora é de servir de inspiração para outras mulheres do campo. Mostrar que, com apoio e determinação, é possível alcançar grandes resultados e transformar a realidade de suas famílias”, celebra.
A história
Flávia lembra que desde criança lida com o meio rural. “Tudo o que sou e o que a minha família produz hoje é a semente plantada por meu pai e minha mãe. Eles nos ensinaram o valor inestimável desta propriedade, que hoje sustenta a mim, minha mãe de 82 anos, minha irmã e minhas duas filhas, uma de 21 e a outra de nove. Somos cinco mulheres, unidas pela força da tradição e pela paixão que herdamos”, afirma a produtora, emocionada.
Ela recorda que ainda menina, às cinco da manhã, já estava ao lado do seu pai na roça. “Quebrávamos milho, colhíamos bananas, e eu o ajudava a levar nossos produtos para a escola, para a venda. Aqueles eram os dias do PAA e do PNAE, programas dos quais fomos pioneiros em Firminópolis, e que nos conectavam à comunidade. Minha inscrição estadual, que carrego há 17 anos, é um testemunho dessa jornada, dessa dedicação que vem de longe”, diz.
O pai foi seu alicerce, e há 13 anos teve problemas de saúde e ficou acamado por três anos antes de partir. “Foi um período de dor, mas também de revelação. Graças a Deus já tínhamos um preparo, uma base sólida para recomeçar. Foi nesse momento que a nossa força feminina se uniu para cuidar dele e, ao mesmo tempo, para sustentar a casa. Comecei a produzir meus doces, meus queijos. Logo minha irmã se juntou, vindo nos fins de semana para fazer requeijão, que ela mesma entregava na cidade aos domingos”.
E a força de uma família de mulheres provou que, apesar das dificuldades, é possível trabalhar e tirar seu sustento do meio rural. Muito temente a Deus, Flávia afirma que foi o pai que as guiou e as ensinou a amar tudo que fazem. “Acredito que essa nossa paixão fez com que as portas começassem a abrir para nós. O Senai, o Sebrae, a Emater, todos vieram ao nosso encontro, oferecendo cursos, aperfeiçoamento. Cada dia era um passo a mais, um aprendizado que nos tornava melhores. E hoje, bendito seja, nosso sustento vem inteiramente da nossa produção. Vivemos bem, com a dignidade que o trabalho da terra nos proporciona”, afirma.
Flávia pontua que sua família produz queijos, iogurtes, requeijão, doces cristalizados, doces em calda. Também confeccionamos doces finos e personalizados. “É um trabalho em família, onde cada um contribui com seu dom”, explica.
Mesmo com todas as conquistas, Flávia não esquece dos momentos difíceis que tiveram que enfrentar, inclusive sobrevivendo com o apoio de familiares que compravam seus produtos. “Mas o amor pela terra e a certeza de dias melhores nos fizeram persistir e continuar acreditando. Sempre na busca de aperfeiçoamento e melhoria na produção e gestão do empreendimento encontrei no meu caminho as instituições Sebrae, Senai e Emater. E agora sinto que nossas oportunidades irão ampliar ainda mais. Hoje posso me considerar uma empresária rural, e a cada dia as portas se abrem ainda mais, o conhecimento se multiplica e nossa família cresce, realizando o sonho do meu pai: viver do que a terra e o amor nos legaram”, finaliza.
INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106
Na Regional Oeste | São Luís de Montes Belos: Agência Entremeios Comunicação / Carla Gomes – (64) 99900-8603
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