As palestras de Camila Renaux e João Saci marcaram o encerramento da Feira do Empreendedor 2026, na noite de quarta-feira (30), em Anápolis. No Ginásio Poliesportivo da UniEVANGÉLICA, o Sebrae Goiás concluiu três dias de programação gratuita, reunindo empresários, estudantes e pessoas em busca de trabalho.

No Palco Inovação, Camila abordou estratégias para conquistar clientes na era da inteligência artificial. Ao discutir percepção de valor, incentivou os empreendedores a mostrar seu trabalho e aproveitar depoimentos dos consumidores. “Não basta ser bom, precisa parecer bom”, afirmou.
No Palco Plural, João Saci relacionou resiliência e metas à própria trajetória, marcada pelo enfrentamento do câncer, pela amputação de uma perna e pelo montanhismo. “Não são os nossos problemas que vão definir onde a gente vai chegar”, disse.

Paralelamente, convidados do UniCIETEC, da UniEVANGÉLICA, discutiram direitos autorais, regularização de migrantes e casas sustentáveis e inteligentes. Autoria de trabalhos coletivos, legalização de migrantes conectaram os debates à vida cotidiana.
A economia criativa também integrou essa diversidade. Na segunda-feira, 28, o Palco Plural recebeu o painel “Cultura Geek, Criatividade e Empreendedorismo: transformando paixão em negócio”, com Dihn Monteiro e Mariana Bueno. A proposta relacionou o universo dos games, quadrinhos, filmes e séries à criatividade, à inovação e às oportunidades de empreender, mostrando como interesses pessoais podem abrir caminhos para novos negócios.

A sustentabilidade também ganhou espaço como oportunidade de negócio. Vinícius Ribeiro, da Pró Ativa Viabilidade Sustentável, apresentou o tema “Empreendedorismo Sustentável” no Palco Negócios Sustentáveis. A empresa atua na coleta e no encaminhamento de resíduos eletroeletrônicos para tratamento e reciclagem, atividade que conecta prestação de serviços, reaproveitamento de materiais e responsabilidade ambiental.
Para Fausto Valentino da Silva, analista do Sebrae Goiás, essa diversidade orientou a programação. “Pensamos em quem já empreende, em quem quer começar, nos estudantes e nas pessoas em busca de trabalho. A proposta foi permitir que cada visitante encontrasse conteúdos ligados à sua realidade e aproveitasse diferentes oportunidades ao longo dos três dias.”
Liderança e inovação na rotina dos pequenos negócios
Essa variedade de assuntos também marcou a quarta-feira desde a tarde. No Palco Plural, o Instituto Mulher Empreendedora propôs a pergunta “Quem cuida de quem está à frente?”. O painel discutiu redes de apoio, desafios e conexões para mulheres que lideram negócios. A ACIA Mulher também reuniu empreendedoras para compartilhar dificuldades e soluções encontradas em suas trajetórias.
No debate do Ecossistema Local de Inovação de Anápolis, Sebrae e Prefeitura discutiram caminhos para 2027. O desafio central foi aproximar o setor produtivo das iniciativas de inovação, envolvendo empresários frequentemente absorvidos pelas tarefas diárias de suas empresas.
Na sala Sebrae/CDL, a integração entre loja física, comércio eletrônico e WhatsApp trouxe orientações sobre atendimento e relacionamento com clientes. A discussão sobre vendas digitais no Palco Plural reforçou a importância da experiência de compra para além das redes sociais. A rodada de negócios da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA) abriu espaço para apresentar empresas, trocar contatos e identificar oportunidades.
O balanço preliminar da organização registrou cerca de quatro (4) mil pessoas nos três dias, contabilizadas por CPFs únicos. Esse público gerou mais de 17 mil interações nas ações da feira: uma mesma pessoa pôde participar de palestras, buscar orientação e circular por diferentes atividades e muitas estiveram presentes nos três dias do evento.
Entre elas estava Luciana Moreira da Luz Silva, empreendedora de banho e tosa na Vila Jaiara, região norte da cidade. Interessada em ampliar o negócio, procurou orientação financeira e combinou aprendizado com prospecção de clientes. “Vim desde o primeiro dia. Assisti a algumas palestras, inclusive sobre vendas, fiz rodada de negócios e já captei alguns clientes aqui. Hoje vim por causa da palestra sobre digital”, contou.

O consultor de finanças e acesso ao crédito Mário Wilson explicou que o atendimento avaliava as necessidades e o perfil de cada pessoa antes de indicar possíveis linhas de financiamento. “Fazemos esse filtro e damos um encaminhamento para que ela vá mais direcionada e com maior probabilidade de êxito nessa busca por crédito”, afirmou.
A inclusão também esteve presente. A cantora autista Bianca Luiza, a Bibi, levou o forró ao Palco Inovação. Grande parte das atividades contou com interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras), ampliando o acesso aos conteúdos. Nos dois primeiros dias, no Palco Plural crianças, jovens e adultos, principalmente mães compartilharam suas histórias sobre lidar com situações, como autismo e limitações físicas.
Feirão do Emprego facilita o encontro com recrutadores
Para quem procurava trabalho, o Feirão do Emprego reuniu, na terça e na quarta-feira, IEL, Psquali, Banservice, UniEVANGÉLICA, Hospital Ânima e Adubos Araguaia, com cerca de 400 vagas anunciadas. A iniciativa foi realizada em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL).
Formada em marketing, Daniele Duarte destacou a facilidade de conversar com diferentes recrutadores. “A gente tem essa liberdade de conversar com elas, ver as vagas que têm disponíveis e verificar se a gente se encaixa”, afirmou. Para ela, o contato presencial facilitou a identificação de oportunidades nem sempre encontradas nos sites das instituições.
A cozinheira Helda Souza chegou depois de conhecer a ação pelas redes sociais. “Vi uma reportagem, na verdade um post no Instagram de vocês, e resolvi vir dar uma volta por aqui para ver se encontro uma vaga”, relatou. Além de apoiar quem empreende, a feira aproximou trabalhadores das empresas, permitindo conhecer vagas, apresentar currículos e conversar sobre possibilidades profissionais.
Moda sustentável ganha passarela e espaço de mercado
No estande de moda circular, o encontro com o público deu continuidade a um trabalho iniciado em 2025 pelo Sebrae em Anápolis. Segundo o analista Ewerton Costa, o acompanhamento aos brechós resultou no primeiro desfile do segmento na cidade naquele ano e cresceu em 2026, reunindo dez marcas na passarela da feira.
Realizado na segunda-feira (28), o desfile Amarê Fashion apresentou peças que uniram sustentabilidade, diversidade, elegância e versatilidade. Algumas peças permaneceram disponíveis para venda durante o evento, mostrando possibilidades de consumo e geração de renda com a circulação de roupas já existentes.

Para Pollyana Amaral de Lima, do Brechó Raiz Dourada, o apoio aparece também na gestão. Criado durante a pandemia como Brechó Seu Cabide, o negócio passou por mudanças na marca e recebeu consultorias financeiras e de moda, além de capacitação em marketing e inteligência artificial. “Hoje a gente trabalha a inteligência artificial no nosso negócio”, afirmou. Sobre o desfile, resumiu: “Quando a gente vê nossas pecinhas lá em cima, você fala: ‘É a gente mesmo, é o brechó’”.
Na Marci Modas Brechique, Marcilene Rodrigues destacou os efeitos das consultorias na organização financeira. Ela contou que tinha dificuldade para administrar as finanças e, com as orientações, passou a identificar melhor o lucro do negócio. “Aprendi muita coisa. Eu sou muito grata pelo Sebrae”, declarou.
Trabalho conjunto sustenta resultados e continuidade
A operação começava antes da abertura dos portões. Sob a liderança de Sérgio Monturil, gerente da Regional Centro-Leste do Sebrae Goiás, e de Fausto Silva, profissional que atuou na coordenação geral, a equipe articulou parceiros, montagem, programação, divulgação e funcionamento dos espaços.

Lúcio Jablonski Júnior, da equipe do Sebrae, explicou que a preparação começou meses antes e continuou nos intervalos da programação. “Nos bastidores, a cada atividade que termina, reorganizamos a sala para que funcione no formato adequado para cada tipo de evento”, relatou.
A analista Rita Queiroz destacou que as orientações gratuitas ajudaram a direcionar demandas, enquanto as consultorias individuais oferecidas para contratação permitiram planejar um acompanhamento posterior. “Às vezes, a pessoa tem uma dúvida e não sabe nem qual direcionamento seguir”, explicou.

Para Sérgio Monturil, o balanço combina oportunidades e reconhecimento ao trabalho coletivo. “Encerramos a feira com uma avaliação muito positiva. Tivemos pessoas aprendendo, fazendo negócios e buscando emprego. Isso foi possível pelo empenho da nossa equipe e dos parceiros, desde a preparação até o último atendimento. Nosso compromisso agora é dar continuidade a essas conexões e apoiar os próximos passos dos empreendedores.”
INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106
Na Regional Centro-Leste | Anápolis: Agência Entremeios Comunicação / Leidiana Batista – (62) 9862-66155
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