
A Feira do Empreendedor 2026 abriu oficialmente sua edição de Anápolis nesta segunda-feira (28), depois de uma tarde em que palestras, painéis, consultorias e atividades empresariais já movimentavam diferentes espaços do Ginásio Poliesportivo da UniEVANGÉLICA. Realizada pelo Sebrae Goiás, a programação segue até quarta-feira (30), das 14h às 22h, reunindo empreendedores, instituições e parceiros em torno de temas que vão de gestão, mercado e inovação à sustentabilidade.

Na abertura oficial, o diretor superintendente do Sebrae Goiás, Antônio Carlos de Souza Lima Neto, destacou a atuação conjunta das instituições e a estratégia de levar a Feira do Empreendedor para diferentes regiões do Estado. Em 2026, o circuito chega a nove municípios goianos, com programação construída de acordo com as características de cada região.
“Nós não fazemos nada sozinhos e, por isso, temos aqui a representatividade dos setores público e privado e das principais entidades do setor produtivo ao nosso lado”, afirmou Antônio Carlos.
A parceria foi um dos principais pontos da solenidade. Luiz Antônio Oliveira Rosa, presidente da Codego, defendeu a chamada tríplice hélice, que aproxima academia, empresas e poder público. “Não se faz empreendedorismo, não se faz evolução econômica, desenvolvimento econômico, sem a tríplice hélice”, afirmou.

Representando a Prefeitura de Anápolis, o diretor de Indústria e Comércio, Maurício Rosa, destacou a presença dos jovens e as oportunidades proporcionadas pela aproximação com o Sebrae. “É uma alegria muito grande ver esse auditório cheio, ver que tem muitos jovens ainda entrando, que vão participar”, disse.
Pelo setor empresarial, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA), Luiz Ledra, chamou atenção para os desafios enfrentados diariamente pelos empresários e para a possibilidade de usar a Feira como ambiente de troca de experiências. “A dor sua é a mesma dor do outro, talvez numa proporção menor ou maior”, afirmou.

A mesma ideia apareceu na fala do presidente da CDL Anápolis, Luiz Miguel Mendes, ao defender que o empreendedor busque apoio e conhecimento. “O Sebrae é a primeira porta do empreendedor, a grande porta que o empreendedor tem para aprender, para ter assessoria, informação, conteúdo e continuidade”, ressaltou e acrescentou que é preciso continuar o caminho pelas portas do associativismo.

A indústria também esteve representada. O diretor da Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, Almiro Martins, destacou a atuação da instituição na formação profissional, pesquisa e inovação e incluiu as micro e pequenas indústrias nesse processo. “Você não faz sozinho, faz com união, faz com os parceiros que estão aqui muito bem representados”, afirmou.
Anfitrião da Feira, o reitor da UniEVANGÉLICA, Carlos Hassel Mendes da Silva, completou esse conjunto pela perspectiva acadêmica. Ele apresentou o projeto do Parque Tecnológico e informou que o ecossistema da universidade já reúne mais de 20 startups incubadas. “O papel da universidade é ser esse polo irradiador de conhecimento”, disse.

Para o gerente da Regional Centro-Leste do Sebrae Goiás, Sérgio Monturil, essa combinação de públicos e instituições amplia o alcance da Feira. “A Feira reúne diferentes perfis de empreendedores e aproxima, em um único espaço, conhecimento, atendimento, parceiros e oportunidades. Essa diversidade permite atender tanto quem precisa melhorar um negócio que já existe quanto quem está começando a empreender”, destacou.
Conhecimento e atendimento lado a lado
Embora a solenidade oficial tenha ocorrido à noite, a Feira começou às 14h. Ao longo da tarde, atividades simultâneas ocuparam os palcos e demais ambientes do evento, levando para a programação assuntos relacionados a inclusão, indústria, tecnologia, transformação digital, sustentabilidade, mercado e conexões empresariais.
No espaço dedicado aos negócios sustentáveis, por exemplo, conteúdos apresentados pelo Senai abordaram transformações nos processos industriais, com temas como robótica e automação, braços robóticos, impressão 3D e Sociedade 5.0. Também foram apresentados trabalhos relacionados à tecnologia de alimentos desenvolvidos pelo Senai Goiás.

Nesse mesmo espaço, a CDL levou à programação o painel “ESG na prática: Sustentabilidade como estratégia de negócio”. A discussão ampliou o olhar sobre sustentabilidade ao relacioná-la à gestão das empresas, competitividade e práticas ambientais, sociais e de governança. Para a cobertura, o painel ajuda a mostrar que a agenda ESG também chega aos pequenos negócios como uma questão de estratégia empresarial, e não apenas como um conceito associado às grandes organizações.
O Palco Plural abriu espaço para temas que atravessam o cotidiano dos empreendedores para além da gestão dos negócios. Entre as discussões acompanhadas durante a tarde estiveram inclusão, deficiência e capacitismo, em um bate-papo que colocou em evidência a troca de experiências, as barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência e a importância de ouvir quem vivencia essas questões.
Pamela Rezende conduziu o momento e levou ao palco diversos exemplos de superação. O mesmo palco recebeu ainda o painel “Mídias Digitais: Sua voz, sua marca”, do Instituto Mulher Empreendedora. Com as participações de Débora Rosa, Edilene França e Joyce Alves, a atividade levou a discussão para presença digital, posicionamento e construção de marca, mostrando como a comunicação se tornou parte da rotina de quem precisa conquistar espaço e relacionamento com o público também no ambiente digital.

A tarde também teve espaço para colocar empresários frente a frente. Na Sala de Treinamento Sebrae/CDL, a Rodada de Negócios — Pitch Eficaz trabalhou a apresentação dos negócios e a geração de conexões entre os participantes. Além de palestras e capacitações, o momento conduzido por Cláudia Lucena criou um ambiente para networking, apresentação de empresas e abertura de contatos comerciais.
Para o analista do Sebrae Goiás Fausto Silva, a proposta é fazer com que o visitante também encontre aplicações práticas para o negócio. “A programação foi construída para que o empreendedor não fique apenas como espectador. Além dos conteúdos nos palcos, ele encontra atendimento, pode conversar com especialistas e conhecer soluções que façam sentido para a realidade da empresa”, afirmou.
A adesão dos empresários também apareceu nos estandes. Segundo Luiz Ledra, a procura pelos espaços superou a disponibilidade. “A gente cada vez se surpreende mais com a Feira do Empreendedor, e o resultado está aqui: cada vez mais estandes lotados”, afirmou. Ele relatou ainda que interessados ficaram aguardando espaço para participar.

Da consultoria para o negócio
Entre as atividades da tarde, as consultorias permitiram que necessidades concretas dos empresários chegassem aos especialistas. Uma dessas histórias foi protagonizada por Adriana Alves Pereira Oliveira, empreendedora do segmento de moda evangélica.
Durante o atendimento, Adriana conheceu o Agente de Mercado Nacional, apresentado pela consultora credenciada pelo Sebrae Sônia Silva. A solução aproxima empresas compradoras e vendedoras e, no caso da empresária, abriu a possibilidade de pesquisar novos fornecedores e comparar preços das mercadorias.
“Eu me vi nesse projeto porque ele me apresentou oportunidades de avaliar preços de mercadoria. Para mim foi muito interessante. É uma vantagem competitiva”, contou Adriana.
Sônia explicou que a proposta é estabelecer essa conexão entre os dois lados do mercado.
“É um programa novo do Sebrae, vindo do Sebrae Bahia, chamado Agente de Mercado Nacional, em que o Sebrae aproxima empresas vendedoras de empresas compradoras”, explicou. Segundo ela, as empresas fornecedoras passam por soluções do Sebrae e a capacidade produtiva também é considerada.

Amare Fashion chega a Anápolis
A descentralização promovida pelo Sebrae também chegou à moda. Realizado originalmente em Goiânia, o Amare Fashion foi descentralizado e levado para algumas regiões do estado. O desfile sobre moda sustentável encerrou a programação do primeiro dia.
Na passarela, brechós apresentaram peças em propostas atuais, elegantes e versáteis. As composições exploraram cores intensas, contrastes e tons terrosos, passando pelo laranja, vermelho e vinho, pelo clássico preto e branco e por combinações de verde, bege e marrom.
Participaram do desfile Brechó Delas, Cabide Vintage, Achadinhos VIP Brechó, Raiz Dourada Brechó, Um Breschop, Brechó Dondê, Nobre Brechó, Brechó Márcimodas Brechic, Peça Rara Brechó e Deu Brechó.
As produções mostraram desde propostas voltadas ao conforto cotidiano até composições mais sofisticadas e profissionais, tendo o reaproveitamento e a circulação das peças como elementos da proposta de consumo sustentável.
Para o analista do Sebrae Goiás Ewerton Costa, levar o Amare Fashion para Anápolis amplia também o espaço para discutir novas possibilidades de negócio no setor. “O desfile permite trabalhar a moda também pela perspectiva da sustentabilidade e dos pequenos negócios. Quando colocamos os brechós nesse ambiente, mostramos possibilidades de mercado ligadas à circulação das peças e a novas formas de consumo”, afirmou.
A Feira do Empreendedor continua nesta terça-feira (29) e quarta-feira (30), das 14h às 22h, na UniEVANGÉLICA, com palestras, painéis, atividades empresariais e conteúdos relacionados a inovação, inteligência artificial, mercado, sustentabilidade e empreendedorismo.
Serviço — Feira do Empreendedor 2026 | Anápolis
Data: 28, 29 e 30 de setembro
Horário: 14h às 22h
Local: Ginásio Poliesportivo da UniEVANGÉLICA
Endereço: Avenida Universitária, Km 3,5, Anápolis (GO)
Participação: gratuita
