O Sebrae Goiás lançou, nesta sexta-feira, 06, cinco novos cursos inclusivos voltados para pessoas com deficiência, além de uma iniciativa inédita dedicada a mulheres acima de 60 anos. O anúncio foi feito durante o evento “Empreender é para Você”, realizado no auditório da instituição, em Goiânia, que reuniu representantes de associações, pessoas com deficiência e empreendedoras em uma programação voltada para a diversidade. O encontro contou com profissionais de Libras que traduziram todas as falas para as pessoas com deficiência auditiva. O evento teve palestra magna com a influenciadora digital Lorrane Silva, a Pequena Lô, que deixou muitos presentes emocionados. Na oportunidade também foi apresentada a nova edição do Perfil da Mulher Empreendedora em Goiás.
O Sebrae lançou uma família de cursos de apoio ao empreendedorismo inclusivo, com cinco cursos que contemplam pessoas com deficiência: “Empreendedorismo para Pessoas com Mobilidade Reduzida”, “Empreender no Espectro” (para pessoas autistas), “Empreendedorismo para Pessoas com Síndrome de Down”, “Empreender sem Barreiras” (para deficientes auditivos) e “Empreendedorismo para Pessoas com Deficiência Visual”.

O gerente da Unidade de Soluções do Sebrae Goiás, Victor Costa, disse que a instituição abre as portas de forma definitiva para receber públicos sub-representados. “O Sebrae Goiás está há alguns anos capacitando, preparando os colaboradores para receber as pessoas com deficiência. A instituição tem trabalhado muito nessa vertente que não para por aqui. Esperamos receber vocês mais vezes”, afirmou.
De acordo com a gestora do Programa Plural do Sebrae Goiás, Thaís Oliveira, ações de capacitação e apoio ao empreendedorismo inclusivo têm se mostrado fundamentais para ampliar essas oportunidades. “Além de gerar renda, o empreendedorismo inclusivo também contribui para transformar percepções sociais sobre capacidade, autonomia e inovação, mostrando que a diversidade é um fator que fortalece o ecossistema empreendedor”, ressaltou.

O jornalista Handerson Pancieri mediou uma conversa com as participantes Gabriela Ferreira, que possui deficiência auditiva e atua com estética e bem-estar, e com Mariana Abdalla, que possui espectro autista (TEA) e é engenheira de produção. Durante o bate-papo, as empreendedoras contaram quais são os maiores desafios no empreendedorismo e quais caminhos buscam para encontrar soluções.
Pequena Lô
A programação contou com a participação da influencer Pequena Lô, que apresentou a palestra “Na Dúvida, Seja Feliz”, destacando a importância da representatividade e da inclusão no mundo dos negócios. Com leveza e bom humor, sua fala inspirou o público ao mostrar que o empreendedorismo pode ser um caminho acessível e transformador para diferentes perfis e realidades. A influencer contou como conseguiu chegar a 12 milhões de seguidores na internet.

De acordo com a influencer, atualmente há estudos que mostram que a adaptabilidade faz as pessoas raciocinarem melhor e terem um desempenho maior e que, por mais doloroso que seja, é uma estratégia para o sucesso. Outra questão levantada por ela Pequena Lô, que também é psicóloga por formação, é que as pessoas precisam reconhecer em si os próprios talentos. “Isso dá uma segurança para a gente e faz com que possamos atravessar situações independente do que comentarem ao nosso redor”, analisou.
A Pequena Lô falou da adaptabilidade como estratégia de sucesso. “Isso encaixa para todas as profissões, todos os empreendedorismos que a gente vive hoje em dia. O meu é um nicho diferente, que veio através da internet, mas sou uma empresária e durante toda minha carreira e minha vida foi essencial eu me adaptar. Todos temos que ser flexíveis porque o novo surge todos os dias e é importante estar preparado”, afirmou.

Perfil da empreendedora
Produzido pelo Sebrae Goiás, a edição 2026 do Perfil da Mulher Empreendedora foi apresentado pela analista da Unidade de Gestão Estratégica Polyanna Marques, uma das autoras do estudo. Ela destacou dados gerais da pesquisa que mostram que as empreendedoras de Goiás somam 374 mil mulheres e representam 12% do total da população de mulheres em idade para trabalhar.
Dentre os 1 milhão de pequenos negócios ativos, 435 mil (44%) são liderados por mulheres. “Trata-se de um movimento que alia autonomia financeira, inovação e impacto social, reposicionando a mulher como protagonista da economia goiana”, analisou. Primeiro volume da Coleção Identidade, a publicação traz dados atualizados sobre o empreendedorismo feminino, incluindo perfil sociodemográfico, taxas de empreendedorismo entre mulheres, locais e segmentos de atuação, escolaridade, aspectos financeiros, recortes por raça/cor e outras informações essenciais.
O perfil traçado pelo estudo mostra que as empreendedoras têm idade média de 43 anos, são em sua maioria negras (53%), e apresentam escolaridade elevada – 38% possuem ensino superior. Apesar disso, ainda enfrentam desigualdade de renda: as mulheres, mesmo as mais escolarizadas, recebem menos – os homens têm rendimento médio mensal 35% superior. No nível superior, por exemplo, eles ganham 56% a mais. Ainda assim, o rendimento feminino cresceu 44% em dez anos, alcançando média de R$ 3.723 mensais.

A pesquisa também evidencia mudanças sociais significativas: 53% das empreendedoras são chefes de família, invertendo a posição tradicional de cônjuges ou companheiras. Muitas conciliam o trabalho com tarefas domésticas, já que 38% atuam em seus próprios domicílios. A formalização também avançou. Em 2016, apenas 30% estavam regularizadas; em 2025, esse número chegou a 45%, o que impacta diretamente na renda, já que mulheres formalizadas ganham 1,5 vez mais do que as informais.
No cenário empresarial, elas respondem por 41% das empresas criadas e 44% das empresas ativas em Goiás, com predominância de microempreendedoras individuais – MEI (49%). Setores de Serviços (55%) e Comércio (31%) concentram a maior parte da atuação, com destaque para atividades ligadas ao cuidado, alimentação e confecção. Quatro municípios concentram metade dos negócios liderados por mulheres: Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis e Rio Verde.
Nesta edição, o foco é nas mulheres MEI, uma vez que esse público representa praticamente a metade das empresas ativas no estado. Em Goiás são 214.121 nessa categoria, que representam 49% das empresas ativas geridas por mulheres no estado. A maturidade desses negócios mostra que 60% estão em estágio inicial ou nascente, com até 3,5 anos de atuação, enquanto 40% já alcançaram fases mais maduras, sendo que 10% superaram a marca de uma década de existência.

Os setores de atuação mais representativos são os de serviços pessoais (beleza e estética), comércio varejista de vestuário e produtos novos ou usados, e alimentação (restaurantes e serviços de comida). As motivações que levam essas mulheres ao empreendedorismo revelam tanto oportunidade quanto necessidade.
O estudo mostra que 41% iniciaram seus negócios pelo desejo de empreender ou aproveitar uma chance, enquanto 39% buscaram flexibilidade e autonomia. O impacto é direto na vida familiar, já que para 76% das empreendedoras o negócio é a principal fonte de renda da família. A maioria atua em estabelecimentos fixos (38%) ou em casa (29%), conciliando trabalho e responsabilidades domésticas.
Apesar da relevância, os desafios são expressivos. 78% enfrentam dificuldades financeiras, sendo que 46% têm problemas para manter as contas em dia, e 32% não conseguem pagar todas as despesas. As maiores barreiras apontadas são o acesso ao crédito (39%), a expansão dos negócios (29%) e a falta de conhecimento administrativo (27%).
No campo tecnológico, o WhatsApp Business (57%) e o Instagram Business (27%) são as ferramentas mais utilizadas, mas ainda há 25% de exclusão digital entre as empreendedoras e 75% não utilizam inteligência artificial em seus negócios. Os principais entraves para avançar na digitalização são os custos elevados (34%) e o desconhecimento sobre como vender on-line (33%), mostrando que a inovação ainda é um desafio a ser superado.

Presenças
Estiveram presentes no evento os diretores do Sebrae Goiás Marcelo Lessa Medeiros Bezerra (técnico) e João Carlos Gouveia (administrativo e financeiro), o defensor público do estado de Goiás, Rafael Balduino, o chefe de gabinete do vereador Willian Machado, Luiz Fernado Machado e a conselheira do CDL Cristiane do Prado, representando o presidente Gustavo Faria.
Também participaram a representante da Associação das Mulheres Surdas, Nise Coelho, da vice-presidente do CRC-GO, Sucena Hummel, da diretora do Senai Vila Canaã, Aliana Calaça, da conselheira do CRA-GO, Keidi Souza, vice-presidente do CRA, Kênia Coutinho, da técnica da gerência de Inclusão da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, Letícia Aguiar.
INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
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