ASN GO Atualização
Compartilhe

Sebrae Goiás lança boletim de tendências para cachaçarias durante festival em Goiânia

Publicação aponta oportunidades de mercado e destaca a força da formalização e da inovação para pequenos negócios do setor
Por Adrianne Vitoreli, de Goiânia
ASN GO Atualização
Compartilhe

O Sebrae Goiás apresentou nesta quinta-feira, 10 de setembro, o Boletim de Tendências para Cachaçarias, durante o Festival da Cachaça de Goiás, realizado no Flamboyant Hall, em Goiânia. A iniciativa, desenvolvida pela Unidade de Gestão Estratégica (UGE), traz um panorama atualizado do setor e indica caminhos para que pequenos negócios possam se fortalecer e conquistar novos mercados.

O Sebrae Goiás também está com um estande, que levou um pouco das experiências de Goiás, por meio das rotas turísticas e, do Programa Goiás original, que traz empresas goianas participantes do programa do Sebrae. Durante todo o evento consultores estarão com atendimento sobre reforma tributária.

1º Festival da Cachaça de Goiânia, que acontece no Flamboyant Hall e reúne 60 produtores, com entrada gratuita (Fotos Fredox Carvalho/Entremeios Comunicação)

Segundo o gerente da UGE, Francisco Lima, o boletim foi pensado para oferecer aos empresários “com insights valiosos que os ajudem a repensar seus modelos de negócio e se preparar para mudanças impulsionadas pelo comportamento do consumidor”. Ele destacou que o documento serve tanto para quem já possui uma cachaçaria quanto para quem planeja entrar no segmento.

O setor em Goiás conta atualmente com 49 cachaçarias registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária, responsáveis por cerca de 230 empregos diretos. No Brasil, são 1.538 estabelecimentos produtores, com mais de 8 mil produtos registrados e uma produção que ultrapassou 234 milhões de litros em 2025. As exportações somaram 7,95 milhões de litros, enviados a 76 destinos, com faturamento de US$ 17 milhões.

Entre as tendências apontadas pelo boletim estão a valorização de produtos premium, o uso de madeiras brasileiras, a expansão das bebidas prontas para consumo, a integração com turismo e gastronomia, além da busca por certificações, internacionalização e uso de inteligência artificial para gestão. O documento também ressalta a importância da Indicação de Procedência da Cachaça de Orizona, marco para a valorização regional.

Camilla Carvalho, analista do Sebrae Goiás (ao centro), com o gerente Francisco Lima, analistas da instituição e organizador do evento

Para a analista do Sebrae, Camilla Carvalho, o boletim reforça a necessidade de formalização. “Quando a empresa está devidamente registrada, ela consegue acessar mercados, firmar parcerias e até se internacionalizar. Isso permite competir não apenas por preço, mas por diferenciais competitivos que agregam valor”, explicou.

Já o analista e gestor das Indicações Geográficas, João Luiz Prestes, destacou que Goiás está no caminho certo. “O número de cachaçarias tem crescido e, com a formalização, os produtores podem ampliar horizontes, participar de negócios B2B e conquistar espaço fora do mercado tradicional. Com o selo de IG, a marca ganha em agregação de valor e mais visibilidade, o que permite entrar em vários mercados”.

Para o gerente da UGE, o lançamento integrou a programação do festival, que reuniu produtores locais e nacionais, palestras sobre reforma tributária e experiências turísticas ligadas à cachaça artesanal. “O evento reforçou a diversidade e o potencial do setor, mostrando que há espaço para todos os perfis de consumidores e produtores.”

Dados e tendências

Ao buscar os números de cachaçarias no Brasil, os números foram positivos, com um crescimento do número de produtores no Brasil e em Goiás, em torno de 29%. “Mas há muito mais cachaçarias instaladas em Goiás do que as 49 registradas no Mapa. Então, o primeiro alerta que o próprio boletim trouxe foi a importância da sensibilização desses produtores para se profissionalizar. O ambiente de mercado precisa ser mais regular”, avaliou Francisco Lima, gerente da UGE.

Para ele, sem essa formalização, muitos atuam como aventureiros, colocando produtos à disposição da população sem atender às normas de segurança e saúde. “É preciso enxergar o registro não como burocracia, mas como oportunidade estratégica. Quem não se formaliza permanece na informalidade e perde espaço, principalmente quando se fala em negócios B2B.”

Outro dado que chamou atenção foi o de exportação. Muitos produtores goianos, especialmente os mais bens estabelecidos, olham para o mercado externo. Mesmo quem ainda não exporta tem o desejo de colocar seu produto fora, tanto pela oportunidade comercial quanto pelo fortalecimento da marca. Uma empresa que consegue colocar seu produto no mercado europeu ou americano ganha apelo de marketing também para o mercado interno.

Gerente da Unidade de Gestão Estratégica de Goiás, Francisco Lima, durante apresentação e lançamengto do Boletim de Tendências Cachaçarias, no primeiro Festival de Cachaça na capital goiana

Quando se olha para o volume, o Paraguai é o país que mais importa cachaça brasileira, seguido por Alemanha, Estados Unidos, Cuba e Portugal. Mas em valor, os Estados Unidos lideram, pagando em média US$ 4,31 por litro, contra US$ 1,50 do Paraguai. Isso mostra que, apesar de importar menos em volume, o mercado norte-americano valoriza mais a bebida.

O recente acordo com a União Europeia também abre cenário favorável, segundo o gerente da UGE, reconhecendo a cachaça como produto exclusivamente brasileiro e reduzindo tarifas gradualmente. “Isso amplia oportunidades para novos produtores, desde que estejam atentos às regulamentações e participem de feiras e eventos internacionais”, ressaltou Francisco Lima.

Boletim de Tendências Cachaçarias que mapeou oito principais tendências do setor e reforça que aquelas que conseguirem combinar tradição, valorização da origem e foco na experiência terão melhores oportunidades

As tendências são impulsionadas pela mudança do comportamento do consumidor. O boletim mapeou oito principais tendências: a cachaça como bebida versátil e premium; a convergência entre gastronomia, turismo e cachaça; reputação baseada em validação externa; uso de madeiras brasileiras nativas como assinatura sensorial; exportação e internacionalização; bebidas prontas para consumo; inteligência de dados e inteligência artificial no relacionamento com clientes; e a indicação geográfica como ativo coletivo do território.

“A mensagem final reforça que as cachaçarias que conseguirem combinar tradição, valorização da origem e foco na experiência terão melhores condições de aproveitar oportunidades de crescimento e fortalecimento no mercado atual”, finalizou Francisco Lima.

Expectativas no 1º Festival da Cachaça

José Saraiva Neto, de Formosa (GO), proprietário da Cachaça Caialua, contou que iniciou sua cachaçaria em 2009, após incentivo de um tio para diversificar a produção da fazenda. Hoje, produz cerca de 25 mil litros por safra, mantendo o caráter artesanal e a qualidade. Sua linha inclui sete a oito tipos de cachaça, com destaque para a branca, considerada carro-chefe.

Proprietário da Cachaça Caialua, José Saraiva Neto, mostra sua cachaça carro-chefe, com investimento em qualidade e também no design e rotulagem

O público principal está em Goiás e no Distrito Federal, mas a distribuição já alcança estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco. José ressaltou que participar do festival é a realização de um sonho antigo e que o evento valoriza a diversidade de sabores e estilos, mostrando que “boca é território sem dono”. Ele também destacou o apoio do Sebrae e os projetos de exportação para países como Portugal e Irlanda.

A Cachaçaria Cállida, de Cristalina, já está à frente das tendências, ao lançar uma linha de bebidas prontas, com a cachaça como base, a Amary. Os sabores são de strawberry e framboesa, graviola e pêssego e mel e limão siciliano. A Cachaça Cállida iniciou sua produção artesanal em 1994, com o Sr. Valdomiro Batista, que conduziu a produção até 2004, ano de seu falecimento. Em 2010, a família retomou a produção, mantendo viva essa herança de qualidade, sabor e exclusividade.

Célio Cintra, da Cachaçaria Cállida, de Cristalina, já colocou em prática uma das tendências, com a diversificação de produtos, com bebidas prontas com base de cachaça

Nos dias de hoje, a marca segue firme com 11 produtos na linha comercial, consolidado em vários estados, com selo de premiações nacionais e internacionais, sendo eleita em 2025 no Festival da Cachaça em Olhos d’Água, como a “Mió de Goiás”.
E para celebrar ainda mais essa marcante e saboroso trajetória, foi lançado o Blend da Cachaça Cállida, conhecida como a “Joia do Cerrado”, uma garrafa robusta, marcada pela presença do Cristal Lemuriano, acompanhado de taças em Cristais, unindo o requinte ao artesanal.

A Cacem de Minas Gerais teve alguns produtores representando os outros produtores da associação

Graziella Rezende, produtora da cachaça Paixão Mineira, é uma das representas da Cacen, associação de produtores do Cerrado Mineiro. Ela destacou que o grupo reúne 16 marcas diferentes da região do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas. A associação tem sede em Araxá e conta com apoio constante do Sebrae, que oferece capacitação, suporte técnico e auxílio em eventos.

Graziella ressaltou que o objetivo é representar todos os produtores, mesmo aqueles que não conseguem participar presencialmente, e que a estratégia em Goiânia foi montar um estande maior e diversificado, com kits, garrafas premium e tradicionais, além de drinks e licores. A expectativa é positiva, com foco em atender diferentes públicos e ampliar o mercado.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106

Na Regional Central | Goiânia: Agência Entremeios Comunicação / Adrianne Vitoreli – (62) 98144-2178

Acesse aqui o Site do Sebrae Goiás.

Siga-nos em nossas redes sociais: Instagram, Facebook, YouTube e LinkedIn

  • 1º Festival da Cachaça
  • Boletim de Tendências Cachaçarias
  • Sebrae Goiás