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Empreender por toda parte

Artigo publicado no jornal O Popular
Por Marcelo Lessa, diretor Técnico Sebrae GO
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Nas ruas, nos bairros e nos pequenos serviços do dia a dia há uma dinâmica que muitas vezes passa despercebida, mas faz parte da economia goiana, presente em atividades que surgem de boas ideias e da necessidade imediata. Trata-se do avanço de pessoas que empreendem como microempreendedores individuais (MEI), fato que traz impacto direto no desenvolvimento econômico.

Mais do que um regime jurídico, o MEI se consolidou como um dos principais pontos de partida da atividade econômica no estado. Em Goiás, são mais de 634 mil MEI formalizados, com mais de 518 mil ativos. Ao atingirem esse número, os negócios formalizados como MEI representam 54% de todos os micro e pequenos negócios goianos, revelando uma mudança na forma de empreender, conforme aponta a “Pesquisa Perfil do MEI em Goiás – Abril 2026”, do Sebrae Goiás.

A formalização como MEI amplia o acesso ao empreendedorismo, permite transformar uma ideia em renda e o trabalho autônomo em atividade estruturada. Essa porta de entrada cresce de forma consistente e revela um novo comportamento econômico. Empreender deixou de ser exceção e passou a ser alternativa concreta de ocupação e geração de renda.

Mas todo começo carrega desafios. Cerca de 64% desses negócios ainda estão em seus primeiros anos, o que confirma o papel de entrada do MEI, mas também expõe seus desafios. O tempo médio de vida desses empreendimentos é de pouco mais de três anos, com taxa de mortalidade de 59% em cinco anos.

Esse dado é um retrato da realidade. Empreender exige mais do que iniciativa. Exige preparo, gestão e capacidade de adaptação. Mesmo com as dificuldades, Goiás vem se mantendo na vanguarda: em 2025, por exemplo, o estado registrou mais de 159 mil aberturas de MEI e cerca de 78 mil encerramentos, mantendo saldo positivo relevante.

Há crescimento, mas também um ciclo natural de tentativa e ajuste. O setor de Serviços concentra mais da metade dos registros, seguido pelo Comércio, com forte presença nos grandes centros urbanos, liderados por Goiânia. São atividades de entrada mais acessível, mas com maior concorrência.

Diante deste cenário, o que diferencia quem começa de quem permanece é a capacidade de evoluir, que significa organizar o negócio, entender custos, precificar, acessar crédito, inovar e ampliar mercado. É nesse ponto que entram as redes de apoio. O Sebrae, presente em todo o estado, atua para transformar iniciativa em estrutura, ampliando a taxa de sucesso desses negócios. Além disso, as 139 Salas do Empreendedor goianas, operacionalizadas por meio de parcerias entre o Sebrae e o poder público, têm papel essencial no atendimento a quem atua como MEI.

E em maio, o Mês do MEI, como não poderia deixar de ser, o Sebrae amplifica as ações em prol de quem empreende. Em todas as regiões de Goiás, mais de 130 atividades estão sendo oferecidas em diferentes cidades, com oficinas, consultorias, capacitações técnicas, palestras e cursos, mais uma vez evidenciando o compromisso da instituição com os pequenos e com o desenvolvimento do estado.

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