Pesquisa realizada pelo Sebrae aponta que 93% das empresas goianas interromperam funcionamento temporariamente ou alteraram sua forma de funcionar por conta da pandemia do novo coronavírus. O faturamento mensal após a crise diminuiu 58% para quase a totalidade dos pesquisados (89%) e para manter a empresa funcionando, pedir empréstimos é visto como alternativa para 60% dos empreendedores.
O estudo faz parte terceira edição da pesquisa “O impacto da pandemia do coronavírus nos pequenos negócios”, realizada de 30 de abril a 5 de maio. A amostra em Goiás foi de 296 empresas e pesquisa foi realizada on-line. Dados indicam ainda que quase metade dos empresários (46%) acredita que vai demorar até seis meses para a situação econômica voltar ao normal.
Mesmo com as medidas facilitadoras dos governos estadual e federal para concessão de crédito, a pesquisa indica que apenas 15% dos empresários goianos conseguiram empréstimo. O estudo mostra que quase a totalidade deles buscou empréstimos em bancos (90%), mas que o pedido foi negado para 65% e 20% dos empresários que ainda aguardam resposta. Falta de garantias/avalista e taxa de juros foram os motivos mais citados para a negativa do crédito.
“Uma das principais queixas dos empresários tem sido de fato o acesso a crédito e em Goiás não é diferente. Alguns motivos que percebemos estão relacionados a um distanciamento entre o anúncio das medidas, que já levam os empresários a buscarem o crédito, e o momento em que de fato a linha esteja disponível e o processo funcionando”, explica Francisco Lima Júnior, coordenador de gestão estratégica do Sebrae Goiás.
De acordo com o analista do Sebrae, os trâmites internos dos diferentes agentes financeiros também passam por reestruturação e adaptação às novas condições e aumento no volume de atendimento. “Sobre crédito, o Sebrae Goiás tem trabalhado (além do Fampe) com consultorias individualizadas via atendimento on-line agendado, cursos EAD gratuitos pelo www.sebrae.com.br, lives e webnares sobre o tema e diversas orientações”, lista Francisco.
A instituição disponibilizou equipe de especialistas para apoiar as empresas nesse momento. “A conversa com especialistas podem se agendadas quantas vezes forem necessárias para orientar o empresário desde as questões financeiras que precisam ser consideradas antes da tomada de crédito, apresentação das opções disponíveis, até o apoio no preenchimento de formulários e documentações necessárias”, explica Francisco. Para o coordenador estratégico, essa é uma ação importante para que o processo chegue ao agente financeiro mais estruturado e que o acesso ao crédito seja uma decisão consciente.
Nacionalmente, as pesquisas mostram que de 20% a 25% das micro e pequenas empresas podem fechar por causa da pandemia e, uma pesquisa da Abrasel indica que quatro em cinco bares ou restaurantes podem fechar permanentemente. As microempresas, com faturamento anual de até 360.000 reais, e as empresas de pequeno porte, que faturam até 4,8 milhões de reais, são vitais para a economia. Juntas, elas representam 96,6% dos negócios e contribuem para cerca de 30% do produto interno bruto (PIB) brasileiro.
Em Goiás, o Sebrae trabalha com dados da Receita Federal e a última atualização (maio de 2019), mostra que existem 574.400 empresas ativas no Estado. Destas, 94% são pequenos negócios – 539.196 (MEI, ME e EPP). Os pequenos negócios são responsáveis pela maioria (52%) dos empregos formais no País. Em 2019, enquanto as médias e grandes empresas fecharam 88.000 postos de trabalho, as micro e pequenas empresas abriram 731.000 vagas, de acordo com dados do Ministério da Economia.
O panorama indica ainda o aumento do uso das ferramentas digitais, como site, telefone, aplicativos e que 36% dos empresários começaram a realizar vendas on-line com o uso das redes sociais após a crise. “Instagram, Facebook e Whatsapp têm sido algumas das ferramentas de vendas neste período. A pesquisa indica ainda que considerando os custos atuais, 54% acham que seria necessário até R$10 mil por mês para o negócio não fechar”, finaliza Francisco.
Iniciativas governamentais
Para ajudar as empresas durante a crise, o governo federal adiou o recolhimento de tributos como PIS, Pasep, Cofins e Simples Nacional, bem como o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O governo também instituiu uma pausa de duas prestações nos financiamentos da Caixa Econômica Federal e regulamentou uma carência de até 90 dias para as novas contratações de crédito comercial com o banco.
O governo estadual informou que tem editado medidas para facilitar o acesso ao crédito desde o início da pandemia e que de março até maio, 48% das solicitações de empréstimos à GoiásFomento já foram atendidas pela instituição. Em nota para imprensa, foi informado que “a GoiásFomento facilitou o crédito e atendeu mais de 3.800 empresas, garantindo a micro e pequenos empresários R$ 23 milhões em contratos firmados, do final de março até maio. A tendência é que esse percentual aumente na medida em que os processos forem sendo analisados e os créditos liberados”.
Os cinco maiores bancos do País também anunciaram prorrogação de 60 a 180 dias nos vencimentos das dívidas e criaram novas linhas de crédito voltadas para o financiamento de capital de giro e da folha de pagamentos.
Mais informações para imprensa:
No Sebrae: Adriana Lima – (62) 3250-2236 / 2252 / 99456-2491
