ASN GO
Compartilhe

Criadores de porcos crioulos têm encontro nacional em Corumbá

Evento contou com o apoio do Sebrae Goiás e reuniu cerca de 60 participantes de sete estados para discutir conservação genética, manejo e oportunidades de renda para pequenos produtores
Por Leidiana Batista, de Corumbá de Goiás
ASN GO
Compartilhe
Cerca de 60 participantes de Pernambuco, Paraíba, Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás participaram do III Encontro Nacional de Criadores de Porcos Crioulos (Fotos Leidiana Batista/ Entemeios Comunicação)

Criadores de sete estados se reuniram em Corumbá de Goiás, de 25 a 27 de setembro, para discutir como preservar raças de porcos crioulos e tornar essa criação viável para pequenos produtores. Com apoio do Sebrae Goiás, o III Encontro Nacional de Criadores de Porcos Crioulos contou com cerca de 60 participantes, segundo a organização, e aproximou a experiência no campo da pesquisa acadêmica.

A cultura local também teve espaço com a interpretação musical de “Romper da Aurora”

As paisagens do Cerrado, as águas do Salto de Corumbá e o patrimônio histórico da cidade compuseram o cenário do encontro. Nesse ambiente, a preservação das raças suínas crioulas foi discutida em conjunto com o cuidado, com os recursos naturais e a sustentabilidade das propriedades. A proposta foi fortalecer formas de criação que conciliem conservação ambiental e geração de renda para as famílias produtoras.

A cultura local também teve espaço. A interpretação de “Romper da Aurora”, que faz referência ao Salto de Corumbá, emocionou os participantes durante a apresentação musical.

o produtor rural Pedro Henrique de Castro, é o organizador do encontro

A iniciativa surgiu da articulação entre criadores de diferentes regiões do país, unidos pelo interesse em preservar as raças suínas crioulas. Depois das edições no Paraná e em Minas Gerais, o evento chegou a Goiás. Organizador do encontro, o produtor rural Pedro Henrique de Castro explicou que essa aproximação permite trocar animais entre propriedades, ampliar a diversidade genética dos rebanhos e evitar cruzamentos entre parentes.

“A ideia do encontro foi justamente a necessidade de fortalecer esses criadores e essas raças”, afirmou. Na Bottega Agrícola, sua propriedade familiar, o soro resultante da fabricação de queijos é aproveitado na alimentação dos porcos, integrando as atividades da propriedade.

Para apoiar a participação de criadores e pesquisadores de diferentes regiões, o Sebrae Goiás custeou 23 hospedagens. O encontro recebeu representantes de Pernambuco, Paraíba, Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás.

A Prefeitura de Corumbá de Goiás contribuiu com o transporte dos participantes e as atividades culturais, por meio das secretarias de Agricultura e Cultura. A rede de apoio também incluiu a Emater Goiás, a Associação de Cultura e Defesa do Patrimônio de Corumbá de Goiás, a Universidade Federal de Goiás (UFG), a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e o Instituto Federal de Brasília (IFB).

Para o analista técnico do Sebrae Goiás Lucio Jablonski Junior, encontro contribuiu para discutir soluções de manejo, gestão e comercialização

Para o analista técnico do Sebrae Goiás Lucio Jablonski Junior, responsável pelo atendimento da região, a aproximação entre pequenos produtores e pesquisadores contribuiu para discutir soluções de manejo, gestão e comercialização.

“Ao apoiar a participação dos criadores, de professores e pesquisadores, o Sebrae contribuiu para aproximar o conhecimento técnico da realidade dos pequenos negócios rurais. A proposta foi valorizar a produção local e ajudar o produtor a identificar caminhos para agregar valor ao que produz, com atenção à sustentabilidade.”

A professora pesquisadora Maria Norma Ribeiro, defende a valorização dos animais adaptados às condições brasileiras

Raças adaptadas e manejo sustentável

A pesquisadora Maria Norma Ribeiro, professora aposentada da UFRPE e vinculada à Universidade Federal da Paraíba (UFPB), defendeu a valorização dos animais adaptados às condições brasileiras. Segundo ela, raças comerciais mais exigentes podem demandar investimentos elevados em controle ambiental diante do calor. Por isso, a conservação das raças locais deve ganhar espaço nos currículos de Zootecnia, nas pesquisas e nas políticas de apoio à produção.

Ao relacionar a conservação genética às mudanças climáticas, a professora destacou uma característica desses animais: “Essas raças têm potencial adaptativo, resiliência, para todo esse panorama das mudanças climáticas que nós estamos enfrentando”.

Na abertura, após o painel sobre sistemas integrados de produção, alguns produtores rurais relataram que já adotavam as práticas apresentadas em suas propriedades. Para o engenheiro florestal Pedro Faria, o encontro em Corumbá de Goiás representou a realização de um sonho antigo. Ele afirmou sentir grande emoção ao conhecer experiências que conciliam produção e conservação ambiental e que, em sua avaliação, demonstram a viabilidade dos sistemas agroflorestais.

O pecuarista e selecionador Paulo Leonel, do Grupo Adir, levou ao encontro a experiência desenvolvida na Fazenda Barreiro Grande, em Nova Crixás

Seleção e transformação da produção

O pecuarista e selecionador Paulo Leonel, do Grupo Adir, levou ao encontro a experiência desenvolvida na Fazenda Barreiro Grande, em Nova Crixás. Criador de porcos carunchos, explicou que a seleção começa pelo biotipo desejado e considera o desempenho das mães, como a quantidade de leitões e a capacidade de criar os filhotes.

“Eu trabalho tudo em sinergia com a natureza, observando o animal, observando tudo”, afirmou. Na palestra, defendeu a definição de um padrão a partir das características observáveis dos animais, o fenótipo, e a fidelidade a esse padrão na seleção.

Leonel também apresentou um sistema de gestão que considera adaptável a propriedades de diferentes tamanhos. Destacou o aproveitamento dos recursos disponíveis na propriedade e a seleção dos animais com base em critérios objetivos, sem apego emocional. Ao abordar a rentabilidade, apontou a transformação dos produtos como estratégia para agregar valor, em vez de limitar a comercialização aos produtos in natura.

Engenheiro florestal e pequeno produtor, de Rio Negro, no Paraná, Dyego Henrique Schelbauer , percorreu 1,5 mil quilômetros para participar do evento

Pequenos criadores e acesso ao mercado

De Rio Negro, no Paraná, Dyego Henrique Schelbauer percorreu cerca de 1.500 quilômetros para participar. Engenheiro florestal e pequeno produtor, cria porcos da raça moura há mais de dez anos e adota o sistema semi extensivo: os animais ficam soltos durante parte do período e depois são recolhidos, conforme as necessidades do manejo.

O manejo, explicou, busca evitar que a criação comprometa o solo e a vegetação. “Em uma área reduzida, ele vai degradar o solo. Ele vai comer todas as plantas”, observou. O criador comercializa carne em Foz do Iguaçu, com apoio de um frigorífico parceiro, alcançando um mercado além de seu município.

O organizador do evento Pedro Henrique apontou a dificuldade de encontrar estruturas de abate compatíveis com o volume dos pequenos criadores em Goiás como um dos obstáculos para ampliar o acesso ao mercado. O organizador defendeu abatedouros de menor porte e regularização sanitária como caminhos para agregar valor à produção e alcançar novos compradores.

Pedro Faria, Davi Amaral (UFG) e Júlia Eumira (IFB) abordaram mudanças climáticas, preservação das raças crioulas e sistemas integrados de produção durante o encontro em Corumbá de Goiás

Ainda na sexta-feira (25), foram realizadas uma oficina de melhoramento genético participativo e uma roda de diálogo sobre valorização e comercialização de produtos, selos de inspeção e mercados.

No sábado (26), os participantes acompanharam atividades de caracterização do porco piau na Bottega Agrícola e na Fazenda Vendinha, além de visitas culturais. No domingo (27), o grupo conheceu a Fazenda Mutum, onde foram realizadas atividades técnicas e de pesquisa da raça nilo, com a participação de criadores e da Embrapa.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106

Na Regional Centro-Leste | Anápolis: Agência Entremeios Comunicação / Leidiana Batista – (62) 9862-66155

Acesse aqui o Site do Sebrae Goiás.

Siga-nos em nossas redes sociais: Instagram, Facebook, YouTube e LinkedIn

  • Corumbá de Goiás
  • Porcos crioulos
  • Regional Centro-Leste