
O projeto de Encadeamento Produtivo da Hering inicia um novo estágio, que deve ter continuidade pelos próximos 18 meses. A primeira ação, da qual participaram 36 faccionistas de todo o Estado de Goiás, já foi concluída. A fase atual é de realização de diagnósticos. A partir desse primeiro estudo, um plano de ação com oportunidades e melhorias para o negócio é formulado, quando se inicia uma série de cursos, visitas técnicas e consultorias que acontecem tanto individualmente, como em encontros do grupo. A conclusão está prevista para dezembro de 2022.
O objetivo central do projeto é adequar as pequenas empresas aos requisitos das grandes e facilitar a realização de negócios entre elas, contribuindo para melhorar a competitividade das pequenas, das grandes e da cadeia de valor como um todo. A aplicação dessa metodologia desenvolvida pelo Sebrae possibilita transformação, mudança de atitude, empreendedorismo e protagonismo de uma extensa rede de pequenas empresas que geram empregos e contribuem para a economia local.
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O programa vem sendo executado desde 2018 e as empresas participantes recebem capacitação na área de gestão, com ênfase em pessoas, planejamento estratégico, marketing, finanças e melhoria produtiva com foco no lean manufacturin, que é a produção enxuta com redução de desperdício. Com duração de dois anos, prevê acompanhamento por meio de indicadores que auxiliam a gestão e desenvolvem o empreendedor. Por isso, aborda ao longo dos 24 meses de acompanhamento temas diversificados como saúde e segurança, inovação de tecnologia, meio ambiente e flexibilidade.
Segundo a Gestora Estadual de Moda do Sebrae Goiás, Thaís Oliveira, “o Sebrae entra com o projeto de Encadeamento Produtivo para capacitar e acompanhar as pequenas empresas para que elas consigam ser mais competitivas, mais lucrativas, melhorem o seu faturamento e evitem desperdícios”. Sobre o diagnóstico, Thaís adianta que foi possível “observar um cenário de devolução de peças, de baixa produtividade e competitividade”.
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A Gestora da Moda explica que a partir do diagnóstico, o Sebrae fará a capacitação. “Nós já realizamos nesse ano a Oficina de Indicadores para que os empresários tenham conhecimento de como eles serão acompanhados”, observa Thaís. Ela acrescenta que “os indicadores serão a espinha dorsal do Projeto, porque nós vamos acompanha-los mensalmente para fazer toda a gestão do projeto em função do monitoramento e melhoria desses indicadores”.
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A etapa seguinte, de acordo com Thaís, é avançar na qualificação dessas pequenas empresas. “Posteriormente a isso” – complementa – “nós teremos a capacitação em gestão de pessoas, gestão financeira e, também, o lean manufacturin, que é a produção enxuta”. Quanto à certificação ABVTEX, a Gestora revela que integra a parceria do convênio com a Companhia Hering. “Os trabalhos foram iniciados no dia 6 de dezembro e a nossa expectativa é de certificar 139 micro e pequenas empresas faccionistas do Estado de Goiás, para que gerem competitividade”.
O Encadeamento Produtivo permite a profissionalização de empresas, que deixam a informalidade para uma situação mais planejada, segura e propícia para negócios, com sinergia entre os empresários da cadeia. Cria-se uma verdadeira rede de compartilhamento e conhecimento, onde a troca de experiências entre as empresas e a identificação de soluções para problemas nutre umas as outras e fortalece a rede.

É o caso do microempresário Eliel Ribeiro Póvoa, da WA Confecções, do distrito de Jeroaquara, no município de Faina. Ele, juntamente com a esposa, decidiu abrir a confecção em 2011 e atuou na informalidade até 2017, quando foi convidado para fornecer para a Cia. Hering. Em 2019, foi convidado para participar do Projeto de Encadeamento Produtivo da companhia. Aceitou o desafio e não se arrependeu. Ele revela que essa decisão foi um “divisor de águas” para a empresa. E ele explica os motivos.
“A minha produção deu um salto de 290 peças produzidas por dia para 500 peças” revela Póvoa. E acrescenta: “Mesmo que a gente não aplique 100% das técnicas que a gente aprende, o empresário que participa do projeto tem uma visão geral de como gerir a empresa: a contabilidade, a parte financeira, layout e, principalmente, a parte de produtividade”. Ele não apenas agradece a oportunidade de ter participado como faz questão “de indicar que outros empresários participem, porque o projeto é muito produtivo”.
Sobre a atuação do Sebrae Goiás, Eliel avalia que “foi um grande parceiro, que atuou no sentido de contribuir para que as empresas de confecção cresçam e produzam mais e melhor”. Em sua opinião “o Sebrae veio, ajudou, acompanhou, marcou periodicamente os índices e contribuiu para montar o nosso plano de negócios”. O empresário destaca o curso de lean manufacturin, que na sua análise foi o responsável pelo grande salto de produtividade na sua empresa. “Seu eu tivesse que dar uma nota de zero a dez para o Sebrae, seria 10”, conclui.
