Formada em educação física há 15 anos, a personal trainer Lorena Mesquita Mendes, de Anápolis, tinha uma agenda lotada com 13 horas diárias de atendimento antes da pandemia do coronavírus fechar as academias, seu principal local de trabalho.
Lorena atendia basicamente pessoas com obesidade e patologia óssea. Ela conta que logo nos primeiros momentos das restrições impostas pela Covid-19, propôs aos seus alunos as aulas por chamada de vídeo. Com isso, respeitava-se o distanciamento, mas estavam mantidas as orientações personalizadas.
“Essa metodologia foi por algum tempo sustentável, mas para alunos com patologias graves, a presença é indispensável, já que dependem de nosso auxílio para se movimentar na maioria das vezes”, explica Lorena.
Na impossibilidade das aulas presenciais, a agenda da profissional começou a ter horários vagos, que acabaram preenchidos por uma nova área de atuação, as consultorias on-line. “Ainda me assusto com o alcance que as redes sociais dão”, revela Lorena, que graças ao atendimento virtual passou a ter alunos de outras cidades, estados e até de outros países.
A personal trainer conta que a pandemia tem feito com que ela repense e reforme tudo no seu atendimento. Segundo ela, o antes criticado treino on-line, subestimado pela maioria que atua na educação física, passou a ser visto de outra forma.
A preocupação, explica Lorena, era com a impossibilidade de se monitorar um movimento presencialmente, o que poderia fazer com que o aluno o executasse de forma errada, gerando alguma lesão. Dada às circunstâncias atuais, os profissionais passaram a se desdobrarem para ensinar e dar todo o suporte. São aplicativos, sites, vídeos gravados detalhadamente e, claro, as aulas por chamada de vídeo.
Lorena analisa que a pandemia também representou uma mudança na visão que as pessoas têm dos exercícios físicos. “Revelou para muitos a importância real das atividades físicas. Todo conceito que era fortemente divulgado, que exercício era para ter o corpo sarado, deu espaço para o fato de que o fazemos por saúde”.
Por se tratar de mudanças, as adaptações não são fáceis. Lorena explica que o processo tem sido doloroso para alguns alunos que antes eram atendidos presencialmente, pois não é possível utilizar equipamentos, além da perda de uma grade enorme de variações de carga e exercícios que só podiam ser feitas nas academias. “Mas aos poucos estamos nos adaptando, meus alunos e eu”, completa.
Lorena diz que a educação física tem sofrido muito com o fechamento das academias, mas tem se valorizado como profissão “como em nenhuma época anterior”. “Agora somos profissionais da saúde, regulamentados, e entramos para serviços essenciais à população”. A personal trainer de Anápolis completa: “danoso por um lado, glorioso por outro”.
Serviço:
Lorena Mesquita Mendes
Personal trainer
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