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Riscos climáticos, custos e geopolítica entram no radar do produtor para a próxima safra

Fórum realizado em Goiânia reuniu especialistas para discutir os fatores que podem impactar as decisões do campo na Safra 2026/2027
Por Leydiane Alves, de Goiânia
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Fórum Goiano Cenários do Agro, realizado na sede do Sebrae, em Goiânia, na segunda-feira (28) (Fotos Fredox Carvalho / Entremeios Comunicação)

Riscos climáticos, custos de produção, gestão e as mudanças na geopolítica mundial são alguns dos fatores que devem estar no radar do produtor rural na preparação para a Safra 2026/2027. Em Goiás, um dos principais estados produtores do país, esses temas foram discutidos nesta segunda-feira (28), durante o Fórum Goiano Cenários do Agro, realizado na sede do Sebrae, em Goiânia.

O encontro reuniu especialistas de diferentes áreas para analisar os fatores que podem interferir nas decisões do produtor nos próximos meses. A programação abordou desde os impactos das relações internacionais sobre o agronegócio até as condições climáticas previstas para o ciclo e a necessidade de planejamento financeiro diante da oscilação dos preços das commodities.

O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Goiás, José Mário Schreiner, destacou a importância de preparar o estado para novas oportunidades no agronegócio

O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Goiás, José Mário Schreiner, destacou, durante a abertura do fórum, a necessidade de preparar o estado para novas oportunidades de investimento no agronegócio.

Entre os exemplos citados está o avanço da produção de etanol de milho, que aumenta a demanda por biomassa e pode ampliar o déficit de madeira em Goiás. “O Plano Diretor Florestal traz todos esses elementos capazes de colocar a cabo essa oportunidade de mercado de Goiás também se tornar um importante player no setor florestal”, afirmou.

Segundo Schreiner, o estudo identificou 8,2 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial para conversão em florestas plantadas em Goiás. O levantamento também aponta redução da área de florestas plantadas no estado, de cerca de 160 mil hectares, em 2020, para 140 mil hectares, em 2024, enquanto o consumo de madeira cresceu aproximadamente 20% no mesmo período.

o diretor-superintendente do Sebrae Goiás, Antônio Carlos Souza Lima Neto, , acredita que o acompanhamento de dados climáticos e econômicos e da movimentação internacional antecipa demandas que podem chegar aos pequenos produtores

Para o diretor superintendente do Sebrae Goiás, Antônio Carlos Souza Lima Neto, o acompanhamento dos movimentos internacionais, climáticos e econômicos permite antecipar demandas que podem chegar aos pequenos produtores. “Um fórum de discussão como o realizado na manhã de hoje é importante para trazer especialistas que traçam cenários, mostram tendências e apresentam variáveis para as lideranças do setor agropecuário em Goiás”, afirmou.

Segundo ele, a partir dessas discussões, a instituição pode ajustar seu portfólio de soluções para apoiar os pequenos negócios diante das mudanças que afetam o setor. “O Sebrae posiciona estrategicamente o seu portfólio e as suas soluções para apoiar o desenvolvimento das pequenas atividades”, disse.

Professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel falou sobre a influência das relações internacionais sobre o agronegócio

Geopolítica

A influência das relações internacionais sobre o agronegócio brasileiro foi tema da palestra do professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel. Ele abordou as transformações na ordem geopolítica e os efeitos que disputas comerciais e acordos entre grandes potências podem produzir sobre o Brasil.

A discussão mostrou como decisões tomadas por países como Estados Unidos, China e Rússia podem chegar à realidade do produtor brasileiro, afetando mercados, preços e a disponibilidade de insumos. Para Antônio Carlos, compreender esses movimentos permite ao setor produtivo se antecipar a possíveis mudanças no mercado.

O professor e pesquisador da Universidade Federal de Goiás (UFG), Rafael Battisti, falou sobre o possível impacto do El Niño sobre a Safra 2026/2027

Clima exige atenção no início da safra

Entre os temas discutidos, o comportamento do clima ganhou destaque. O professor e pesquisador da Universidade Federal de Goiás (UFG), Rafael Battisti, falou sobre o El Niño e seus possíveis reflexos sobre a Safra 2026/2027. Segundo ele, embora Goiás não apresente alterações climáticas fortes diretamente associadas ao fenômeno, o início do ciclo exige atenção, principalmente em áreas com menor volume de chuva.

“O principal ponto de atenção é nesse começo de safra, com muita atenção em áreas que não tiveram volume de chuva significativo”, disse ele. Battisti também destacou a importância de acompanhar as previsões climáticas antes da semeadura e observar as condições do solo. A manutenção da cobertura do solo e os cuidados com aplicações de produtos agrícolas também podem ajudar a reduzir os efeitos das temperaturas mais elevadas.

O CEO da MPrado Consultoria Empresarial, Marcelo Prado, abordou o tema gestão e planejamento financeiro

Gestão para atravessar os ciclos do mercado

A gestão e o planejamento financeiro foram abordados pelo CEO da MPrado Consultoria Empresarial, Marcelo Prado. Para ele, períodos de preços elevados precisam ser aproveitados também para a formação de reservas que permitam ao produtor enfrentar momentos de menor rentabilidade. “Quando você está num ciclo de abundância e preços bons, é necessário crescer, evoluir sim, mas também é necessário construir reservas estratégicas para os momentos de escassez.”

Prado chamou atenção para o comportamento cíclico das commodities e afirmou que parte das dificuldades enfrentadas atualmente no setor poderia ser evitada com planejamento. Entre os pontos citados estão a formação de capital de giro e o controle dos investimentos em períodos de maior receita.

O especialista também destacou que o produtor não deve basear sua estratégia na tentativa de acertar o pico de preços. Como as commodities são influenciadas por diversos fatores, a estratégia deve considerar médias de comercialização e planejamento de longo prazo.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106

No pólo Sebrae Agro: Agência Entremeios Comunicação / Leydiane Alves – (62) 99540-6111

Acesse aqui o Site do Sebrae Goiás.

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