
Ao traçar o cenário dos pequenos negócios é constatado o forte impacto da pandemia do coronavírus sobre o empreendedorismo, comprovado por pesquisas regulares do Sebrae, compiladas pelo nosso Observatório. Estamos falando de um universo que congrega, no Brasil, 20 milhões de pequenos negócios, sendo 664 mil em Goiás (212 mil em Goiânia).
Nesse momento de crise, fica evidenciado a necessidade de somar esforços para garantir e proteger a manutenção das micro e pequenas empresas, que representam 99% de todas as empresas brasileiras, geram quase 30% das nossas riquezas e são responsáveis por grande parte do estoque de empregos formais. A retomada da economia, superando os desafios da pandemia da covid-19, passa pelo empreendedorismo.
Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae, no 3º trimestre de 2021, 85% das empresas estão operando (o maior índice de funcionamento de 2021), sendo que 26% da mesma forma que antes da crise, 59% estão funcionando com mudanças por causa da crise, 9% interromperam temporariamente e 6% decidiram fechar a empresa de vez.
Vejamos quem são as três principais atividades em cada categoria. Nos setores que estão funcionando da mesma forma que antes da crise: oficinas e peças de auto (40%), indústria-outros (37%) e saúde (36%). Os que funcionam com mudanças: academias e atividades físicas (73%), educação (71%) e beleza (70%). Já os que interromperam temporariamente: economia criativa (31%), artesanato (23%) e turismo (21%).
Interessante observar ainda nessa pesquisa que a proporção de empresas com queda no faturamento reduziu ao menor patamar da série histórica. E isso é um indicador que sinaliza o início da retomada econômica. Não obstante, 71% das empresas apresentaram queda no faturamento em relação a antes da pandemia. No entanto, já foi possível identificar que 12% tiveram aumento no faturamento.
Já os dados do Caged apontam que 83% dos empregos de Goiás, gerados em 2021, foram pelos pequenos negócios, índice que supera o percentual nacional que é de 79%. As MPEs geraram 88.477 empregos formais, de janeiro a outubro de 2021. Isso representa 55% da massa salarial do Estado, nada menos que 61% da força de trabalho estão nos pequenos negócios e gera 35,5% do PIB estadual (FGV Projetos).
Esses dados ratificam e reafirmam a ideia de se buscar todas as formas para ajudar o pequeno negócio a vencer esse momento de dificuldades. Uma ação importante nessa direção é estimular e incentivar os consumidores a priorizar as suas compras nos pequenos negócios de sua rua, bairro e cidade.
Mas outras ações também devem ser implementadas. Paralelamente a isso, o Sebrae aponta rumos e traça cenários para que as MPEs possam desenvolver os seus negócios, identificando as novas demandas dos consumidores, orientando quanto a necessidade de ter presença ativa no mundo digital e criando novos modelos de negócios, como serviços por assinatura, delivery, teles serviços, entre outros.
Também é importante ter presente a chamada economia da sustentabilidade, que aponta para uma preocupação da sociedade em se alinhar com as novas conformidades ambientais. É necessário estar atento às novas discussões e ideias provenientes dessa temática, buscando se adequar às novas legislações. Enfim, esta preocupação estourou a bolha dos pequenos nichos ativistas.
Outra questão relevante é pensar produtos, serviços e atender grupos antes “invisíveis”. Atender esses segmentos é um diferencial de muitas empresas, que estão abertas à diversidade. O que implica expandir os horizontes para pautas sociais e raciais. Isso revela uma capacidade de demonstrar abertura para implementar novas soluções focada em atender o público de forma mais ampla e inclusiva.
Para solucionar as dificuldades vivenciadas por todos nós ao longo dos últimos meses, precisamos avançar e retomar o quanto antes a nossa capacidade de desenvolvimento, atacando questões centrais como o desemprego, a fome e a desigualdade social. O Sebrae tem se empenhado ao máximo em demonstrar um novo olhar ao potencial dos pequenos negócios como forma segura de contribuir para superar esse momento de desafios e retomar a marcha do crescimento econômico que o país e o estado tanto necessitam.
Antônio Carlos de Souza Lima Neto – Superintendente do Sebrae-GO
