O diretor superintendente do Sebrae Goiás, Antônio Carlos de Souza Lima Neto, foi um dos destaques no segundo dia do AgroMKT Summit 2026, realizado na tarde do último sábado,5, no Teatro Sesi, em Goiânia. Ele participou do painel “O jogo mudou: como o agro pode crescer em um cenário de incertezas e transformações”, ao lado de especialistas como Ricardo Krausz, comunicador e referência em jornalismo agro, Janaína Flor, economista e produtora, e Christiane de Amorim, zootecnista e gerente de Inteligência de Mercado da Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Seapa-GO).

O evento, apoiado pelo Sebrae Goiás, reuniu produtores, empresários e líderes do setor para debater o futuro do agronegócio. Durante sua fala, Antônio Carlos destacou a importância de fortalecer o empreendedorismo rural e de disseminar informações estratégicas para os pequenos negócios. “Foi um dia intenso de muito debate e conteúdo compartilhado. O AgroMKT Summit é um grande palco para fortalecer o empreendedorismo goiano e, principalmente, o produtor rural, que tem a oportunidade de participar de um evento dessa dimensão”, afirmou.
Ele ressaltou ainda o papel do Polo Sebrae Agro, que reúne diretores Sebrae das cinco regiões do país e gestores de agronegócio de todas as unidades federativas. A rede atua com curadoria de informações, inteligência territorial e desenvolvimento de soluções voltadas para o mercado. “Trabalhamos para antecipar problemas e propor novas soluções, sempre atentos às tendências, como a sustentabilidade, que já é uma pauta global e precisa ser cada vez mais incorporada ao dia a dia do produtor”, disse.
O painel também abordou temas como comportamento do consumidor, agregação de valor e estratégias de comunicação para o agro. Antônio Carlos reforçou que o Sebrae Goiás tem buscado ampliar sua atuação nacional por meio do Polo, levando conhecimento e inovação a produtores de todo o Brasil.

Agrotropical: um case de sucesso mundial
Uma das palestras mais aguardadas do congresso teve como tema o “Agrotropical: um case de sucesso mundial”, apresentada por José Luiz Tejon, jornalista, publicitário, escritor e referência nacional em marketing e comunicação para o agronegócio, que veio ao congresso com o apoio do Sebrae Goiás.
José Luiz Tejon contextualizou que o agro tropical brasileiro nasceu sem demanda externa, fruto da coragem de pioneiros que há mais de meio século começaram a desenvolver tecnologias e práticas inovadoras para produção agrícola em condições tropicais. “O Brasil fez um agro tropical que ninguém pediu. Isso é marketing: criar algo que não existia e transformar em referência mundial”, afirmou.
Atualmente o Brasil é líder global em exportação de alimentos, energia e fibras, abastecendo mais de 200 países. Essa conquista, segundo o jornalista, é resultado de décadas de investimento em ciência, tecnologia e conhecimento aplicado ao campo. No entanto, o especialista alertou para um ponto crítico, que é, segundo ele, a falta de uma estratégia sólida de publicidade e propaganda que comunique ao mundo a qualidade e a origem da produção brasileira.
“Temos produtos com perspectiva planetária, mas ainda há desconhecimento sobre como produzimos e sobre a sustentabilidade do nosso modelo. Precisamos da competência da propaganda para mudar conceitos e imagens sobre o Brasil”, destacou. Para ele, o país deve investir em comunicação estratégica para consolidar sua imagem internacional e valorizar ainda mais o trabalho dos produtores.
Para ele, o Brasil domina a produção, mas não domina a percepção. O risco é que, sem essa comunicação robusta em publicidade e propaganda, o país permaneça vulnerável a narrativas externas que podem desvalorizar ou distorcer sua imagem. “O marketing do agro não pode ser tratado não apenas como ferramenta de vendas, mas como estratégia de posicionamento global, capaz de fortalecer a reputação do agro brasileiro”, enfatizou.
Outro impacto relevante, de acordo com o palestrante, é observado em fóruns internacionais, como a COP30, onde sustentabilidade foi pauta central. Ao relacionar marketing com inovação e responsabilidade socioambiental, o especialista reforçou que o futuro do agro brasileiro depende da capacidade de comunicar não apenas volume de produção, mas também qualidade, origem e sustentabilidade.
“O Brasil já é protagonista na produção. O desafio agora é ser protagonista também na narrativa”, completou. A palestra também abordou os desafios da logística e da distribuição, ressaltando que, apesar das dificuldades, o Brasil conseguiu se tornar referência mundial.
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