Alimento tido como base do cardápio nacional desde os povos ancestrais aos dias de hoje, a mandioca é reconhecida como uma importante fonte de carboidrato e de minerais e foi legitimamente adotada no prato da grande maioria dos brasileiros. Atualmente, o seu protagonismo está sendo requisitado também para o incremento de uma bebida alçada por aqui como “paixão nacional”: a cerveja.
Essa não é a primeira vez que a mandioca é utilizada para compor uma bebida. Conforme explica o sommelier da Cervejaria Colombina, Alberto Nascimento, nossos povos ancestrais já sabiam da sua utilidade neste quesito, tendo desenvolvido uma bebida à base de sua fermentação chamada de Kaüí na língua tupi.
O ingresso da mandioca como um dos ingredientes da cerveja foi fortemente abraçado pelo Governo de Goiás, mais precisamente pela Secretaria de Estado da Retomada, que recebeu a missão de aglutinar a participação de demais secretarias em torno da valorização da agricultura familiar goiana, e da pesquisa e do melhoramento genético da cadeia produtiva da mandioca.
“A proposta partiu do governador Ronaldo Caiado, que, desde o início, decidiu priorizar o atendimento aos goianos mais vulneráveis e atingidos pela pandemia. Além disso, também há a questão do desenvolvimento regional, ao movimentar a economia local e permitir a chegada de renda a regiões não tão avançadas economicamente”, explica o secretário de Estado da Retomada, César Moura.
O trabalho conjunto que envolveu também a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), o Gabinete de Políticas Sociais (Gps), Emater e Embrapa Mandioca e Fruticultura tem permitido avançar no mapeamento das famílias produtoras e na sua capacitação para atender a um novo perfil de comercialização do produto: a fécula de mandioca utilizada na produção cervejeira.
Até o momento, duas cervejarias que são referências em seus segmentos produtivos aderiram à proposta: a Ambev e a cervejaria artesanal Colombina, e desenvolveram receitas específicas contemplando a mandioca na bebida. “Vislumbramos com esse projeto um reforço dos valores defendidos pela Colombina, de priorizar o pequeno produtor no fornecimento de nossas matérias-primas. Portanto, nos dedicamos a idealizar um produto que pudesse integrar nosso portfólio com a mesma qualidade dos demais”, esclarece Patrícia Mercês, CEO da Cervejaria Colombina.
O reforço ao pequeno produtor
Após um mapeamento feito pelo Governo de Goiás, a Associação dos Agricultores Familiares de Bela Vista de Goiás (Afabev) foi indicada para atender a demanda por fécula de mandioca da Cervejaria Colombina. Composta por 20 famílias de pequenos produtores, a associação está empenhada em garantir o incremento produtivo resultante da assinatura do contrato comercial para produção da cerveja, primeiro parceiro comercial regular da Associação.
“Em dois anos de existência, esse é o primeiro contrato comercial estabelecido pela Associação. Levando em consideração que estamos sendo diretamente impactados pela pandemia e pelas medidas de isolamento social que restringem o funcionamento das feiras livres, ter um parceiro comercial para onde escoar a nossa produção regularmente é algo que muito nos orgulha e nos mantêm ligados ao nosso principal ofício: o cultivo da terra”, reflete a presidente da Afabev Ihasminy Teixeira.
Com o novo acordo, os associados passarão de uma produção mensal de 270 quilos, divididos entre a mandioca in natura e seus derivados como farinha, polvilho e fécula; para uma produção mensal de 1 tonelada de mandioca só para atender a demanda da Colombina, resultando em um aumento de 270% na comercialização da raiz beneficiada. “Esse aumento produtivo não é um problema para nós pois todas as famílias se dedicam ao cultivo da mandioca, mesmo tendo em suas propriedades algumas especificidades como tipos de hortaliças, frutas sazonais e alguns rebanhos como criação de porcos. Ou seja, apesar das especialidades de cada propriedade, a mandioca é uma unanimidade na agricultura familiar”, explica.
A Associação estimula os pequenos produtores a adotarem a forma de agricultura sustentável, que leva em consideração a recomposição natural dos nutrientes do solo, feita por meio da variedade de plantas cultivadas, reduzindo ao máximo o uso de defensivos agrícolas, ou os abolindo por completo. “Já contamos com três associados certificados como agricultores orgânicos, e nossa meta é chegarmos a 100%. Mas temos consciência que a transformação de uma propriedade tradicional em orgânica leva tempo e dinheiro utilizados no manejo correto do solo e na criação do bioma exato que atua em benefício da eliminação natural das pragas”, comenta Ihasminy Teixeira.
Conforme explica Ihasminy, as dificuldades comerciais encontradas antes mesmo da pandemia, se acentuaram com o advento do coronavírus, levando a associação a desenvolver mecanismos alternativos como a venda por delivery, diante da restrição da realização das feiras, ou mesmo da queda no consumo das famílias que passam por um processo severo de endividamento. O contrato comercial estabelecido com a Colombina, em pleno cenário de agravamento da crise, veio como um alento para os pequenos agricultores.
“Me emociono em dizer que, mais do que ampliar a produção em um período de recessão, negociar com a Colombina nos orgulhou pelo respeito concedido pela empresa ao nosso trabalho. A primeira pergunta que nos fizeram foi: quanto vocês querem receber pelo quilo da mandioca? Ou seja, foi uma negociação justa, respeitando as nossas especificidades e conferindo ao trabalhador rural a restituição honesta pelo seu empenho no campo. Isso é algo que não estamos acostumados a ver”, alega a presidente.
Sobre a nova linha de cervejas Colombina Rensga
A nova linha Colombina Rensga traz em sua composição 16% de mandioca – ingrediente inusitado para os padrões da cervejaria artesanal que vinha pautando suas receitas na combinação de malte de cevada – porém que confere um insumo importantíssimo à toda cerveja: o carboidrato que será transformado em álcool durante o processo de fabricação da cerveja. Combinado aos cereais maltados, a mandioca se insere naturalmente no processo de fabricação resultando no teor alcóolico almejado pelos cervejeiros, e deixando a cerveja um pouco mais leve, porém sem alterar significativamente os demais atributos sensoriais da bebida.
“O resultado final foi uma bebida leve e muito agradável de ser degustada. Sensorialmente a presença da mandioca é praticamente imperceptível, não alterando no sabor ou aroma”, explica o Sommelier de Cervejas da Colombina, Alberto Nascimento.
A Colombina Rensga! chega ao mercado em duas versões: Lager e IPA, ampliando o atual portfólio de 20 diferentes cervejas em linha de produção atualmente. A Rensga Lager leva em sua composição lúpulos nobres como o Saphir e o Saaz, que está presente na fabricação das primeiras cervejas do estilo Pilsen a serem produzidas no mundo. Com teor alcoólico de 4,8% e amargor de 14 IBUs, resultou em uma cerveja com bastante bebabilidade, mas carregada de uma personalidade única.
A Colombina Rensga IPA é uma cerveja de personalidade marcada pela complexidade aromática e pelo amargor bem inserido. Os lúpulos escolhidos agregaram notas cítricas e de frutas amarelas, conferindo à bebida um amargor proeminente característico das IPAs, na casa dos 56 IBUs. Seu teor alcoólico é de 5,6% e o resultado final foi uma cerveja equilibrada e muito aromática.
A cervejaria ainda está trazendo de forma inédita nos rótulos de Colombina Rensga! um QR Code que dá acesso a informações sobre a procedência da matéria-prima e da família goiana que a forneceu. “Para além da rastreabilidade do ingrediente local presente na bebida, foi uma maneira inovadora que encontramos de contar a valiosa história dessas pessoas que estão na ponta do processo fabril, lidando com a terra para nos prover de matéria-prima”, enaltece a CEO da empresa.
Ambas são disponibilizadas nas versões 600 ml e 355 ml, sendo que a Colombina Rensga IPA também ganhou a versão chope. Para este primeiro semestre a Cervejaria estima uma produção mensal de 8 a 10 mil litros dos dois novos estilos de Colombina.
