Superação de crises, importância da formalização do pequeno negócio, desafios da transformação digital, uso de novas tecnologias, empresas familiares e empoderamento feminino foram alguns dos temas debatidos durante live com Luiza Trajano na noite da quarta-feira, dia 10. Promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, o encontro virtual reuniu representantes do Sebrae, Amcham, Acieg, Lide Goiás e empresários para um bate-papo sobre o momento atual. Para a empresária, a crise foi inimaginada, mas que dela a sociedade pode trazer algo positivo que é “perceber que ninguém vai vencer as dificuldades se caminhar sozinho”, afirmou.
Pelo Sebrae Goiás, o diretor Igor Montenegro pediu que Luiza falasse sobre os métodos de gestão que têm orientado o Magazine Luiza em seus mais de 60 anos de história e que ela compartilhasse sua visão sobre como superar os desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus à economia, principalmente aos pequenos empreendedores. Luiza reconheceu que o momento é ímpar na história da humanidade. “Estamos vivendo uma crise de saúde, não dá para brigar ou dialogar com o vírus, mas pode ser também um momento de reflexão de nossas práticas”, afirmou.
Ela comentou ainda que logo que assumiu a presidência do Magazine Luiza enfrentou o que considerou uma das maiores crises já vividas por ela: o confisco da poupança feito pelo presidente Collor. “A medida veio da noite para o dia, daí podíamos ter apenas 50 mil cruzeiros no banco (…) era tentar sobreviver ou fechar”, relembrou. Com a crise provocada pela pandemia, ela cita que o empresário deve voltar-se para o que realmente importa: vender. “Gente, é preciso vender, de qualquer jeito, com delivery, digitalmente ou de porta em porta. Agora, se realmente não der e ficar insustentável, não tem nada de errado em fechar e abrir depois. Socialmente o vírus vai te dar desculpas, ninguém vai te julgar se falir neste momento (…) Agora, é preciso avaliar e sair desse momento como pessoa e como empresa melhor que como entramos na crise”, refletiu Trajano.
Além da máxima de viver um dia após o outro, Luiza ressaltou que o momento pode ser uma oportunidade para que os pequenos negócios reavaliem seu papel e suas perspectivas. Além disso, a empresária defendeu a importância da formalização até para conseguir empréstimos. “O pequeno empresário precisa entender que se ele não está formalizado ele não existe. Como o banco vai emprestar dinheiro para a empresa que não existe?”, instigou Luiza. Neste momento Igor Montenegro falou que atualmente, no Brasil, existem 16 milhões de empresas informais. “Das 28 milhões de empresas brasileiras, apenas 12 milhões são formais. O Sebrae tem trabalhado continuamente para aumentar o nível de consciência desse empresário informal”, afirmou.
O presidente da Acieg, Rubens Fileti, pediu que Luiza falasse sobre empresas de serviços, como a construção civil, que não conseguem fazer a transformação digital. “Grandes, médios ou pequenos empresários precisam se reinventar neste momento delicado e de mudanças tão aceleradas. Está provado que os canais digitais ajudam a modernizar os negócios”, afirmou. Para a empresária, algumas funções não vão deixar de existir, mas ela vê que as transformações digitais vieram para ficar e que elas facilitam e economizam tempo e dinheiro e para empresários. Para todos os casos – pequenos ou grandes – Luiza fala que o empresário deve estar sempre atento à tríade do negócio: segurança, inovação e atendimento.
Cledistônio Moura, CEO do Lide Goiás, também quis saber mais sobre a cultura digital acelerada pelas mudanças provocadas pela pandemia. “A necessidade da ampliação de vendas por meio de canais eletrônicos já era uma realidade para empreendedores e continuará sendo determinante nos modelos de negócio para acompanhar a mudança de perfil de consumo”, afirmou Luiza. Ela contou ainda que o Parceiro Magalu foi lançado apenas alguns dias depois que a empresa anunciou o fechamento de suas lojas físicas e ocorreu no mesmo momento que decretos estaduais começaram a obrigar qualquer comércio que não fosse um serviço essencial a fechar suas portas. “Foi exatamente neste momento em que muitas pessoas perdiam seus empregos e pequenos lojistas não sabiam como pagar suas contas que a plataforma serviu como uma luz no fim do túnel, tornando-se uma solução para os problemas para essas pessoas”, disse.
A pergunta sobre empresas familiares veio da coordenadora regional da Amcham-GO, Anessa Santos. Luiza Trajano disse que levantamentos indicam que as empresas familiares são as que mais chegam a 100 anos na Bolsa de Valores. Ela acredita que empresas precisam ser profissionais, mas que é importante valorizar o caminho percorrido por esses negócios e aprender com eles. Luiza ainda que os “princípios de honestidade e dignidade nunca devem mudar”, frisou.
Logo na abertura da live, Luiza Trajano falou sobre o sentido de existência do Grupo Mulheres do Brasil e os eixos que estão estruturando a ação do grupo. “Pessoalmente, estou cansada de diagnósticos (…) está na hora de colocar a mão na massa. O Grupo Mulheres do Brasil acredita no SUS e elaboramos um plano para melhorar a gestão do sistema de saúde brasileiro”, afirmou Luiza ao falar sobre a importância da saúde e da educação para diminuir desníveis sociais. Além deste eixo do grupo Mulheres do Brasil, Luiza citou que a luta de combate à violência contra mulher e a valorização da diversidade.
Helena Ribeiro, empresária goiana e presidente do núcleo goiano do grupo Mulheres do Brasil ressaltou a importância do grupo que atualmente reúne 43 mil associados e que lembrou que em breve será lançado o “Grupo Homens do Brasil”. O grupo apartidário também foi lançado para os jovens no início desta semana. Para saber mais, o link para o site é: www.grupomulheresdobrasil.org
