Para gerir sua loja, a empresária Raquel Bitencourt deve estar sempre atenta ao calendário da moda. “Trabalhamos em cima de um calendário específico, o que torna a gestão do negócio muito mais complicada. A minha compra para ‘verão 2021’, por exemplo, já era para estar sendo feita se não fosse o coronavírus. As compras são bem antecipadas”, explica.
Mesmo com as dificuldades para adequação ao momento, Raquel acredita que o mercado de moda não deveria perder o foco no consumo consciente, e que seria “ideal” se essa ideia fosse mantida no pós-crise coronavírus. “Uma das maiores questões é evitar comprar em marcas fast fashion. Essa tendência faz com que o mercado se torne cada vez mais competitivo e, na minha opinião, ‘canibalizado’. Se isso acontecer, o consumidor se tornará mais educado e atento. A tendência é que ele compre mais do pequeno, e crie uma forte tendência ao slow fashion, que é o modelo de produção da pequena marca, que não tem coleção por temporada e, por isso, não sofre com a pressão do calendário da moda”, explica.
Foi sob esta temática que a analista de moda do Sebrae, Verônica Coutto, deu dicas de como gerir negócios de moda durante a crise do coronavírus. Muitas vezes, o pequeno negócio não pode lançar mão da contratação de um especialista em gestão de negócios, mas é ideal, se houver a possibilidade, que haja esse profissional, para que se separe o criativo do administrativo. Segundo Verônica, existe uma série de questões que tornam a gestão de moda diferente da gestão de negócios comuns. “Quando a gente fala de moda, há uma série de questões, cultura, comportamento, inspirações, desejos, e isso torna a gestão de moda diferente”, frisa.
Verônica acredita que é muito importante que o empresariado preste atenção ao seu negócio de maneira essencial. “Mais do que nunca, o seu negócio tem que ser visto. Prepare-se para o futuro, pois essa crise irá acabar, e você precisa se planejar para quando a gente voltar a trabalhar. Lembrem-se de que as pessoas estão muito mais abertas à inovação, e retornarão ao consumo de forma muito mais consciente”, diz.
A sugestão é que os empreendedores da indústria de moda elaborem um novo plano de negócios e se planejem para o pós-crise. “O plano de negócios é uma ótima ferramenta para a reorganização do negócio. É, inclusive, uma oportunidade de readequação”, sugere.
Verônica acredita que a tendência é que o consumidor dê mais importância ao pequeno empreendedor, e que o movimento “Compre do pequeno” seja sustentado mesmo após a crise. “É possível que o consumo se desenhe de maneira diferente, seja muito mais consciente. Moda não é apenas roupa, moda é comportamento, e os comportamentos também se modificarão”.
A analista de moda do Sebrae complementou dizendo que o momento é também de mudança em relação às estratégias de vendas. “Talvez não seja o momento de ser agressivo com o seu cliente. É preciso adotar um formato confortável para chegar até ele. Qualquer ação que seja feita não pode parecer oportunismo. Crie uma conexão também consciente com essas pessoas”, garante a analista.
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