Foi na cidade de Varginha, em Minas Gerais, que Vitor Antonio Scalioni – o “Toninho” – montou sua oficina de ourivesaria. Quando não estava em serviço numa tradicional joalheria da cidade, ele exercia ali o ofício que aprendeu aos 13 anos de idade, em 1974, quando deixou os estudos para auxiliar no sustento da família. Foi também entre aqueless maquinários e algumas xícaras de café que criou sua filha Caroline – com quem mais tarde dividiria os sonhos e os negócios.
Pedagoga por formação e ourives por legado: foi assim que se iniciou a trajetória de Caroline Scalioni no mundo da joalheria. A empresária, que cresceu brincando nas bancadas com as gemas e metais, decidiu desde cedo aprender o ofício do pai. Em 2019, selaram uma parceria profissional, criando o Ateliê Scalioni e trabalhando juntos na produção de joias que expressassem, também, a tradição – da família e da terra.
“Minha trajetória está diretamente relacionada à história de vida de meu pai”, conta Caroline. “Quando nasci, em 1986, ele já tinha uma pequena oficina em casa, e eu o acompanhava a todos os lugares. Ele é um exímio ourives com 47 anos de profissão, e foi observando-o que me encantei pelo universo da ourivesaria e decidi seguir seus passos.”
Buscando aperfeiçoar o conhecimento adquirido na prática, Caroline buscou cursos de joalheria, mas encontrou barreiras tanto em relação a custos quanto à localização das capacitações. Essa realidade mudou quando, através da joalheira Daniela Foresti, conheceu o Projeto Eco Social Farei Joias, idealizado pela empresária goiana Adeguimar Arantes em parceria com o Núcleo Escola de Joalheria Contemporânea.
Após ser selecionada entre os trinta alunos da primeira turma de 2021, a empresária mineira teve acesso aos seis meses de curso – que trabalha temas como identidade, cadeias produtivas sustentáveis e pedras e gemas brasileiras, entre outros – e à mentoria. Como resultado, apresenta uma coleção inteiramente inspirada no café, tão presente na sua família e na sua terra natal.
“Minas Gerais é o maior produtor de café do Brasil e um dos maiores do mundo. Sou mineira e faz parte da nossa cultura receber as pessoas com uma xícara de café Terroá, acompanhado de pão de queijo: é sinônimo de conversa, afetividade e união. No ateliê, o café também se faz presente e, entre uma xícara e outra, move a engrenagem da imaginação, ganhando novos significados, formas e cores que deram origem à coleção”, conta.
Caroline, que também é pedagoga, conta que os métodos de ensino-aprendizagem do curso são claros e objetivos, aplicáveis ao dia a dia e com retornos positivos logos nos primeiros módulos. Por causa disso, para ela um dos diferenciais do Farei Joias é justamente o de formar não só joalheiros, mas empreendedores.
“Nós, brasileiros, somos um povo criativo, talentoso e naturalmente empreendedor, tanto que as microempresas estão entre as maiores geradoras de renda do país. Diante do atual cenário mundial as pessoas têm se reinventado através do modelo digital e também repensado sobre suas práticas”, reflete.
A empresária também acredita num modelo mais social e eco de empreender e gerar renda no pós-pandemia, não só no ramo da ourivesaria, mas em diversos outros. Para o futuro, um de seus sonhos é unir o conhecimento de seus dois ofícios e ser uma multiplicadora de conhecimento e do Projeto Farei Joias, dando a outras pessoas a mesma oportunidade a que teve acesso.
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SERVIÇO
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Ateliê Scalioni
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