Com duas lojas de acessórios fechadas por conta da pandemia, a empresária Karla de Assis decidiu inovar e partiu para a venda de bijuterias em máquinas de autoatendimento. Além disso, para manter o faturamento, aumentou a divulgação de seus produtos nas redes sociais. “Tenho enxergado novas possibilidades neste momento, que vão desde a mudança e ajuste do mix de produtos à maior exposição nas redes sociais”, explicou Karla.
De acordo com Karla, o projeto das máquinas de autoatendimento de acessórios foi inspirado em uma viagem e o pontapé para colocar em prática foi o período de isolamento social provocado pela pandemia. A marca instalou sua primeira máquina há aproximadamente quinze dias. “No final do ano passado viajei pela Europa e fiquei surpresa com a quantidade de produtos que eles vendem nas máquinas lá (…) Neste momento de pandemia e com as medidas de distanciamento vi oportunidade de colocar isso em prática”, detalha Karla. O projeto é resultado de parceria entre ela e uma amiga que tem rede de vending machines em Goiânia.
A empresária conta ainda que se encantou pelo comércio on-line e que o negócio se manteria se já não houvesse o alto investimento em estrutura física feito anteriormente. “O problema, no meu caso, é que apenas o comércio on-line não suporta hoje toda a estrutura de shopping fechado, de funcionários e outros custos fixos. Além da própria pandemia, meu maior desafio é o fato dos meus negócios funcionarem em shoppings”, afirmou Karla.
A consagração das vendas on-line parece ser uma das poucas unanimidades do período que estamos atravessando. O comércio eletrônico pode chegar a R$ 100 bilhões de faturamento em 2020 no Brasil. Esse crescimento de mais 60% está ligado à falta de alternativas de consumo durante o período de quarentena, conveniência, aumento da oferta, dentre outros.
Karla enxerga os desafios como oportunidades e afirmou que já viveu muitas crises desde que decidiu empreender. A administradora trabalhou por 13 anos na parte de recursos humanos em uma multinacional. Depois da maternidade, em 2013, decidiu empreender. O negócio acabou falindo dois anos depois. Foi aí que a empreendedora montou sua própria marca e atualmente tem duas lojas: no shopping Plaza D’Oro e shopping Cerrado.
As lojas oferecem mix distintos de produtos. Na loja matriz, do Plazo D’Ooro, as peças são mais finas, como semi-jóias, com preços de até R$ 189,00. Na outra loja, todos os produtos são vendidos pelo preço único de dez reais. São bijuterias, lenços, tiaras, bandanas, cílios postiços e outros. O ticket médio da primeira é R$ 50,00, e da segunda, R$ 20,00.
Neste período de pandemia, Karla comenta que inicialmente foi complicado lidar com a falta de fornecedores e reposição de mercadorias. “Diante disso, optamos pela elaboração de peças manuais e percebemos aí outro tipo de produto que foi bem recebido pelas clientes”, comentou. A empresária relata ainda que tem adequado seus produtos às datas comemorativas. “Na época do Dia das Mães criamos conjunto de nécessaires personalizadas”, exemplifica Karla.
Muito estudo
Nos primeiros trinta dias depois do decreto estadual de fechamento do comércio, em março, Karla disse que aproveitou para estudar melhor marketing digital. “Fiz especialização neste período e estudava oito horas por dia”, relembra. Antes disso, a empresária conta que já fez o Sebraetec para reformar a identidade visual da loja e já participou de diversas consultorias para trazer melhorias no mix em termos de qualidade e estilo.
Sobre o futuro e a dica para quem quer empreender neste momento, Karla é categórica: “é preciso estudar e não ter medo de inovar”, disse. Segundo ela, se não fosse a criatividade e capacidade de inovação não teria conseguido fazer o negócio sobreviver.
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