Apesar de relatarem estar atravessando a crise mais endividadas, as mulheres empresárias pedem menos crédito que os homens, mas quando solicitam, conseguem mais financiamentos com as instituições financeiras. Essa é a conclusão do estudo do Sebrae que analisou o histórico das últimas edições da pesquisa “O Impacto da Pandemia do Coronavírus nos Pequenos Negócios”, realizada em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com o levantamento, apesar de em todas as edições as donas de pequenos negócios recorrerem menos aos bancos que os homens, em todas edições elas obtêm mais êxito na solicitação.
-
Um dos possíveis motivos para o maior aval para os pedidos de financiamento para as mulheres pode ser explicado pelo seu histórico de melhor pagadoras. “As mulheres são mais adimplentes, na média, e os bancos levam isso em consideração. Por outro lado, ainda observamos barreiras culturais por parte das instituições financeiras quando a mulher negocia operações de crédito”, observa a analista de empreendedorismo feminino no Sebrae, Renata Malheiros.
-
De acordo com Renata, as mulheres ainda recorrem menos ao crédito por questões culturais adquiridas desde a infância e que interferem na vida adulta. “O público feminino ainda tem uma relação distante das instituições financeiras. Muitas acreditam que é um universo inacessível, seja por crenças individuais, seja porque não encontram ambiente amigável, não se sentem à vontade para solicitar um empréstimo e encarar uma negociação”, pontua.
-
O Sebrae tem trabalhado junto ao público feminino e com as instituições financeiras para estimular a mudança deste quadro. As empreendedoras recebem capacitações para que tenham mais autoconfiança, familiaridade com os números e técnicas de negociação. Além disso, a instituição também trabalha com sensibilização junto aos bancos para que haja maior compreensão das questões culturais que impactam o universo feminino e para que ofereçam soluções que atendam a homens e a mulheres.
-
Confira outros dados da pesquisa:
-
• Desde abril deste ano, a recuperação de faturamento dos negócios comandados por mulheres está abaixo da dos homens. Em abril, 89% das empresas registravam queda na receita (tanto para homens como para mulheres). Já no mês de outubro, 77% das empreendedoras ainda registram perda de faturamento. Entre os homens, esse percentual é de 73%
• Na última edição o faturamento mensal das mulheres apresentou uma queda de 39%, enquanto entre os homens o índice foi de 34%
• Na última edição30% dos empresários do sexo masculino afirmaram que têm dívidas em atraso, contra 32% das empreendedoras.
