É realidade: a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil. E na busca pelo achatamento da curva de expansão da doença no país, as principais recomendações das autoridades de saúde são: máximo cuidado com higiene e evitar o contato social, o que afetou amplamente os negócios em praticamente todos os segmentos. O momento é de isolamento domiciliar, com bem menos gente circulando pelas ruas, comprando produtos, consumindo e solicitando serviços.
Os impactos são consideráveis nos mercados globais, as micro e pequenas empresas também já estão lidando com quedas nas vendas, desabastecimentos, dificuldades logísticas e várias outras questões.
É preciso aproveitar o momento para se informar, planejar a recuperação e adaptar-se às novas expectativas, sempre de olho no controle financeiro. Pois, fundamental como agora, um fluxo de caixa cuidadoso e detalhado é tão importante na vida dos pequenos negócios – responsáveis por cerca de 12 milhões de empregos gerados no Brasil nos últimos anos.
De olho no fluxo
Seja por meio de planilhas ou sistemas de gestão mais elaborados, o controle minucioso de receitas e despesas (por menores que sejam) é um importante aliado após o momento de queda em faturamento.
Partindo de uma análise confiável é possível ajustar preços de olho em mudanças na demanda – evitando abusos, é evidente –, considerar ou não a hipótese de fazer promoções e ficar atento sobre a necessidade de buscar algum financiamento para a continuação das atividades.
Planejamento
Seja em situações de crise ou de bonança, conhecer detalhadamente a situação da empresa é mais do que fundamental.
Portanto:
· é hora de repensar o planejamento, colocando no papel desde o seu patrimônio atual, passando por dados do mercado (como perfis dos clientes e da concorrência e possíveis sazonalidade
· estabeleça metas de recuperação, indique o quanto pretende faturar num determinado período;
· elabore também um plano de ação, indicando as fontes de receita e seus potenciais;
· é imprescindível incluir uma projeção de gastos no período, diferenciando despesas recorrentes (como pagamentos de fornecedores, aluguel ou quitação do imóvel, salários e outros), de gastos eventuais (como manutenção de equipamentos, por exemplo);
· nessa projeção de gastos, defina quais são verdadeiramente essenciais para seu negócio continuar funcionando e quais podem ser reduzidos ou até cortados;
· negociar com credores e fornecedores também é imprescindível neste momento, melhorando condições de pagamento, prazos e fornecimento. Bancos públicos e privados e o próprio governo já estão iniciando ações que adiam ou facilitam o pagamento de dívidas e financiamentos (veja abaixo);
· se quiser, projete ainda o crescimento do próprio negócio, incluindo investimentos que aumentem a capacidade;
· elabore um cronograma realista e detalhado.
Em face da rotina empresarial, como a consolidação do planejamento financeiro se dá no dia a dia, tudo o que foi previsto deve ser constantemente comparado aos resultados obtidos.
Outras ações
Em tempos de isolamento social e trabalho em “home office”, a internet é a grande aliada para garantir visibilidade e, consequentemente, um fluxo de caixa básico para manter o negócio.
Portanto, se você ainda não utiliza as redes sociais para divulgar seu produto ou serviço, agora é uma boa hora de criar seus perfis e começar a entrar em contato com seu público. Facebook, Instagram, You Tube, Twitter e LinkedIn são as mídias mais utilizadas.
Da mesma forma, se sua empresa ainda não tem, considere agora utilizar este tempo para planejar e já iniciar vendas pela internet. Pode ser uma plataforma específica de vendas, mas também pode ser via redes sociais ou mesmo plataformas de mensagens, como o Whatsapp e o Telegram.
E, claro, ao vender para manter seu fluxo, é preciso entregar o produto/serviço. Então é indicado ter um sistema de entregas, o conhecido “delivery”. Pode ser por meio das empresas de aplicativos bastante conhecidas por quem trabalha com alimentação. Mas também, pode ser um esquema próprio. O importante é se movimentar.
Você não está sozinho
Como forma de auxiliar e orientar os pequenos negócios, o Sebrae acabou de lançar um Guia de Gestão Financeira.
O foco é o auxílio aos empresários na busca pela superação dos desafios. Também designou um grupo de trabalho que tem como pilares:
· a padronização de informações disponibilizadas pela Rede Sebrae a respeito de medidas de prevenção (como o relacionamento com os clientes à distância);
· auxílio aos empresários de segmentos mais afetados pelo avanço da pandemia (com orientações gerenciais e parcerias junto a entidades representativas);
· apoio em negociações com entidades da federação e de classe, tendo em vista, dentre outros exemplos, a prorrogação de prazos de quitação de tributos, liberação de financiamentos, renegociações e desonerações.
Medidas para minimizar a crise
Além disso, o Governo Federal anunciou medidas – ainda a serem regulamentadas e adotadas – que têm como objetivo amenizar os impactos da Covid-19 na saúde das micro e pequenas empresas e colaborar para proteger seus fluxos de caixa. Fique atento aos anúncios na imprensa e faça uso delas quando estiverem efetivamente em ação:
· adiamento do montante destinado à União do imposto do Simples Nacional, durante três meses, o que significa um alívio temporário de cerca de R$ 22,2 bilhões para as 4,9 milhões de pessoas jurídicas vinculadas a esse regime;
· R$ 5 bilhões liberados por meio do Proger (Programa de Geração de Renda) aos bancos públicos, que deverão destinar tais recursos a empréstimos que atendam micro e pequenas empresas e ajudem a preservar seu capital de giro;
· permissão para realização de acordos entre empresas e funcionários que definam reduções proporcionais de até 50% nas jornadas de trabalho e salários;
· Por três meses as empresas terão redução de 50% nas contribuições do Sistema S.
· proposta de liberação de R$ 5 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) em forma de crédito para micro e pequenas empresas;
· dispensa de documentação CND para renegociação de crédito e facilitação do desembaraço de matérias-primas importadas.
Medidas adotadas pelas instituições financeiras
Bancos privados
· Os cinco maiores bancos brasileiros vão prorrogar por 60 dias o vencimento de dívidas pra micro e pequenas empresas e famílias, desde que os pagamentos estejam em dia.
Caixa Econômica Federal
· Redução em até 45% as taxas de juros de linhas para capital de giro de micro e pequenas empresas. As novas mínimas são de 0,57%.
· Carência de 60 dias para as operações parceladas de giro e renegociação.
· Linhas especiais de crédito para comércio e serviços com até seis meses de carência.
· Redução de taxas e até 60 meses de prazo em financiamento para a compra de máquinas.
Banco do Brasi
Reforço nas linhas de crédito em R$ 100 bilhões:
· R$ 48 bilhões para empresas (para capital de giro, antecipação de recebíveis e investimentos);
· R$ 25 bilhões para o agronegócio;
· R$ 24 bilhões para pessoas físicas;
· R$ 3 bilhões para administração pública.
Mais informações: Acesse (https://m.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/cursosonline/fluxo-de-caixa-para-pessoa-juridica,9770b8a6a28bb610VgnVCM1000004c00210aRCRD) e inscreva-se no curso online sobre fluxo de caixa disponibilizado pelo Sebrae! Confira várias outras dicas em www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/coronavirus.
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