
O reconhecimento ao papel da imprensa na disseminação de informação, conhecimento e boas práticas relacionadas ao empreendedorismo marcou mais uma edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo em Goiás. Em um ano histórico, com recorde de inscrições, o estado alcançou a terceira maior participação do país, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. Além de R$ 72 mil em premiações, a cerimônia contou ainda com uma dinâmica que resultou no sorteio de um carro zero quilômetro.
Mais do que reconhecer reportagens, fotografias e produções jornalísticas, a premiação reforça a importância da imprensa para aproximar da sociedade histórias de pequenos negócios, iniciativas empreendedoras e informações sobre programas, projetos e soluções voltados ao fortalecimento das micro e pequenas empresas.
Entre os vencedores estão profissionais experientes e estudantes que encontraram no empreendedorismo histórias capazes de revelar transformações econômicas, sociais e culturais. Quatro dos cinco ganhadores falaram sobre o significado do reconhecimento e sobre a responsabilidade de manter temas relacionados aos pequenos negócios presentes na pauta diária dos veículos de comunicação.
Empreendedorismo feminino negro ganha destaque no audiovisual
Vencedora da categoria Jornalismo em Vídeo e também do carro zero quilômetro, a jornalista Eliane Moreira, da TV Anhanguera, afiliada da Globo, levou ao público uma reportagem sobre mulheres negras empreendedoras, abordando tanto a força desses negócios para a economia quanto os obstáculos encontrados por quem decide empreender.
Para ela, desenvolver a reportagem também representou uma oportunidade de apresentar uma perspectiva positiva em meio à rotina intensa das redações. “Mostrar a força do empreendedorismo foi um respiro. Tenho um carinho muito especial por essa reportagem porque ela fala sobre o empreendedorismo de mulheres negras, sobre a força que ele tem e também sobre os desafios que essas mulheres enfrentam, apesar da importância que possuem para a economia local”, afirma.

A produção buscou mostrar dificuldades que vão desde a conciliação entre trabalho e maternidade até a ausência de oportunidades no mercado formal. Na avaliação de Eliane, contar essas histórias também pode servir de inspiração para outras mulheres. “É importante que outras mulheres negras, que enfrentam dificuldades e muitas vezes não têm com quem deixar os filhos ou não encontram um emprego formal, possam olhar para essas histórias e pensar: ‘eu também posso empreender’”, destaca.
Eliane também acabou protagonizando um dos momentos mais marcantes da premiação. Na dinâmica realizada entre os vencedores, foi ela quem escolheu a chave que ligou o carro zero quilômetro. “Foi uma surpresa muito grande. Além do primeiro lugar, ainda conquistei o carro. É uma vitória muito especial para mim enquanto jornalista e enquanto mulher”, comemora.
Para a profissional, o prêmio também reafirma a relevância do jornalismo profissional em um ambiente de profundas mudanças na forma como as pessoas consomem informação. “Esse reconhecimento mostra que o jornalismo não perdeu sua força e continua tendo uma importância enorme e credibilidade quando o assunto é levar informação para a população”, avalia.
Bordado que gera renda na Cidade de Goiás
Na categoria Áudio, o primeiro lugar ficou com Lucas Cássio de Moraes, da RVC FM, de Goianésia. Ele conquistou o bicampeonato, já que em 2021 ele também ficou em primeiro lugar. Lucas destaca que o reconhecimento do Sebrae alcança diretamente profissionais que estão nas redações em busca de personagens e histórias capazes de mostrar diferentes realidades do empreendedorismo.
“O Sebrae valoriza muito quem está nas redações buscando boas fontes para contar boas histórias. Fico muito feliz e honrado, principalmente por levar esse prêmio para o interior e por contar histórias de pequenos empreendedores e pequenos negócios que fazem diferença localmente”, afirma.

A reportagem vencedora apresentou a trajetória de uma bordadeira da cidade de Goiás, cujo trabalho também proporciona geração de renda a pessoas privadas de liberdade. Por meio da atividade, os participantes recebem pelo trabalho realizado e conseguem, inclusive, contribuir financeiramente com suas famílias.
Segundo Lucas, alguns continuam trabalhando com bordado mesmo após deixarem o sistema prisional. “São histórias que mudam a realidade social das localidades onde essas pessoas estão, que mudam vidas e trajetórias. Fico muito feliz por ser um meio para levar essas informações e essas boas histórias para quem está nos ouvindo”, diz.
Para ele, a conquista vai além do prêmio recebido. “Ganhar é a cereja do bolo. Existe um lado emocional muito importante em mostrar histórias que inspiram outras pessoas e revelar como os pequenos negócios são uma mola muito importante desse processo”, afirma.
Fotojornalismo como ferramenta para mostrar oportunidades
Primeiro colocado na categoria Fotografia, Weymer Carvalho, editor de Fotografia do jornal O Popular, ressaltou o papel do jornalismo para tornar conhecidas iniciativas e resultados que, muitas vezes, não chegariam ao grande público sem o trabalho realizado pelos veículos de comunicação. “No empreendedorismo, muita coisa importante, com bons resultados, só chega ao público através do jornalismo. A nossa função é mostrar isso para as pessoas”, afirma.
Com cerca de três décadas dedicadas ao fotojornalismo, ele considera que premiações como a promovida pelo Sebrae também funcionam como estímulo para que as redações encontrem espaço para histórias construtivas e iniciativas capazes de inspirar outros empreendedores. “É um chamado para produzirmos conteúdo positivo, conteúdo que agregue, some e ajude outros empreendedores a enxergarem bons resultados e acreditarem que aquilo também é possível para eles”, pontua.

Na avaliação do profissional, a combinação entre informação de qualidade e histórias reais é essencial para aproximar oportunidades de quem deseja começar ou desenvolver um negócio. “Fazer essa informação chegar de maneira coerente, mostrando ao empreendedor que também é possível para ele, é extremamente importante”, acrescenta.
O reconhecimento teve ainda um significado particular para Weymer. “Estou há cerca de 30 anos trabalhando com fotojornalismo, então todo reconhecimento é importante. E, especificamente agora, depois de ter passado um período produzindo menos e sem concorrer a prêmios, foi muito especial”, relata.
Universidade aproxima jornalismo, cultura e empreendedorismo
A categoria Jornalismo Universitário teve como vencedores estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG). A equipe formada por Andressa Bueno, João Vitor Fernandes, Luana Sampaio, Renato Cândido e Sofia Costa, conquistou o primeiro lugar pelo segundo ano consecutivo.
O trabalho premiado levou os estudantes a Aruanã, onde puderam conhecer de perto uma atividade ligada à cultura indígena Karajá e sua relação com geração de renda, turismo e preservação de tradições. Para a equipe, o prêmio representa também uma valorização do jornalismo produzido dentro das universidades e da estrutura dos laboratórios acadêmicos.
“É a confirmação do trabalho que fazemos dentro da Universidade Federal de Goiás. Ver todo o processo de apuração, deslocamento e pesquisa sendo valorizado mostra que vale a pena investir no jornalismo universitário, nos laboratórios da universidade e, principalmente, se colocar à prova”, afirma Mariana. A experiência permitiu que os estudantes mostrassem como o empreendedorismo pode assumir diferentes formas e estar diretamente relacionado à identidade de uma comunidade.

A produção destacou conhecimentos transmitidos entre gerações, atividades que movimentam a economia e a relação entre empreendedorismo e preservação cultural. Para os estudantes, compreender essa dimensão também amplia a maneira como futuros jornalistas podem abordar o tema. A proximidade com o empreendedorismo também faz parte da história pessoal de integrantes da equipe.
Filha de empreendedor, uma das estudantes lembrou que acompanhar de perto a rotina de um pequeno comércio permite compreender os desafios diários enfrentados por milhares de brasileiros. “Empreender é um desafio todos os dias, mas também é muito gratificante. Você consegue construir a própria história sabendo que, de alguma maneira, também impacta a história de outras pessoas”, relata.
Informação que fortalece pequenos negócios
As histórias premiadas mostram diferentes faces do empreendedorismo: mulheres negras que transformam desafios em negócios, uma atividade artesanal que proporciona renda e perspectivas a pessoas privadas de liberdade, iniciativas registradas pelas lentes do fotojornalismo e tradições culturais pesquisadas por estudantes universitários.

Ao reconhecer essas produções, o Prêmio Sebrae de Jornalismo coloca em evidência uma relação que extrapola a divulgação de histórias de sucesso. A informação produzida de forma profissional pode ampliar o conhecimento sobre empreendedorismo, apresentar experiências que podem ser replicadas, divulgar oportunidades e aproximar os pequenos negócios de programas, projetos e ferramentas capazes de apoiar seu desenvolvimento.
A participação recorde e o desempenho de Goiás, terceiro estado com maior número de inscrições no país, também demonstram a presença crescente do empreendedorismo na agenda dos veículos de comunicação. Para os vencedores, o desafio agora permanece dentro das redações. Fazer com que essas histórias não estejam presentes apenas durante uma premiação, mas ocupem cada vez mais espaço na cobertura jornalística cotidiana, mostrando desafios, oportunidades e personagens que ajudam a movimentar a economia e transformar realidades.
INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106
Na Regional Central | Goiânia: Agência Entremeios Comunicação / Adrianne Vitoreli – (62) 98144-2178
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