O Plano Diretor Florestal para Goiás foi lançado na tarde da última segunda-feira (10), na sede do Sebrae Goiás, em Goiânia. A apresentação reuniu autoridades, representantes do setor produtivo e instituições que participaram da construção do estudo, que estabelece diretrizes para ampliar a produção de florestas plantadas, atender à demanda por madeira e criar condições para a atração de novos investimentos no estado.
Elaborado pela STCP Consulting, o plano parte de um cenário de aumento da demanda por madeira de eucalipto, tanto para atividades ligadas ao agronegócio quanto para a indústria de produtos madeireiros, painéis, móveis, celulose e papel. O diagnóstico aponta que Goiás possui atualmente uma base florestal insuficiente para atender à própria demanda e identifica cerca de 8 milhões de hectares com possibilidade de conversão para florestas plantadas.

O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Goiás e da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, destacou que a proposta busca preparar o Estado para receber novos investimentos antes mesmo que eles sejam anunciados.
Segundo ele, durante a construção do plano, instituições como Sebrae, Faeg e Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), além de órgãos do governo, participaram das discussões para identificar oportunidades e estruturar uma atuação conjunta. “Goiás está dando um passo à frente mobilizando as instituições antes mesmo do investimento chegar para dar mais confiança para esse tipo de empreendimento”, afirmou.

Ampliação da base florestal
De acordo com Mário Coso, head de consultoria da STCP Consulting, responsável pela elaboração do estudo, o objetivo é criar caminhos para que Goiás amplie sua base florestal e, a partir disso, desenvolva diferentes segmentos da cadeia. “Há um grande mercado, uma grande cadeia que se abre a partir desse projeto”, explica. Segundo ele, o estudo também definiu zoneamentos e estratégias para orientar a expansão da atividade de acordo com as características de cada região do Estado.
A ampliação das florestas plantadas, segundo Coso, pode atender não apenas à demanda já existente do agronegócio, mas também criar condições para a instalação de novas indústrias. Entre as possibilidades estão os setores de painéis, móveis, celulose e papel.

Diversificação da cadeia
Para o titular da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Ademar Leal, o desenvolvimento do setor não deve ficar concentrado em grandes projetos de celulose. A estratégia, segundo ele, precisa incluir pequenos e médios negócios ligados à cadeia, como empresas dos segmentos moveleiro, de MDF, essências e geração de energia.
Outro ponto destacado é a necessidade de organizar a atividade de acordo com as características de cada região. “O planejamento considera desde áreas com produção de mudas até locais com maior potencial para o cultivo de florestas”, reforça o secretário.
Ademar também chamou atenção para o ciclo de produção do eucalipto, que pode levar de sete a nove anos. Por isso, defendeu a articulação entre governo e setor produtivo para oferecer maior segurança aos produtores, inclusive com mecanismos que contribuam para reduzir os impactos das oscilações de oferta e demanda.
Atuação conjunta
José Mário Schreiner também destacou em seu pronunciamento que a proposta é que o documento funcione como um norteador para a atuação conjunta das instituições, com ações de curto e longo prazo. A expectativa é que a organização da cadeia contribua tanto para a atração de investimentos quanto para o fortalecimento dos pequenos negócios que atuam como fornecedores. “O setor florestal se mostra um dos setores mais importantes em termos de desenvolvimento de empregos e renda na cadeia de fornecimentos”, finalizou.
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