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Cenário político, desafios econômicos e conexões entre gerações movimentam debates na Feira do Empreendedor

Palestra sobre os resultados das eleições e seus impactos para o setor produtivo reuniu especialistas em estratégia política, economia e direito internacional
Por Adrianne Vitoreli, de Goiânia
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Arena do Centro de Convenções, em Goiânia, recebeu público diversificado durante a Feira do Empreendedor (Foto Silvio Simões / Entremeios Comunicação)

Os resultados das eleições presidenciais, as perspectivas para a economia brasileira e os desafios enfrentados pelos empresários estiveram no centro de um dos debates realizados na Feira do Empreendedor, na noite desta quinta-feira, na Arena do Centro de Convenções, promovida pelo Sebrae Goiás. O estrategista eleitoral Roberto Reis conduziu uma palestra marcada por análises críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao cenário político nacional, com a participação do analista político Anderson Nunes Correia e do advogado Adler Martins, especialista em direito internacional e tributação internacional.

Roberto, que atua há anos em campanhas eleitorais, apresentou sua interpretação sobre o resultado das urnas e as mudanças no comportamento do eleitorado entre o primeiro e o segundo turno. O palestrante explicou que sua proposta era analisar os fatores políticos que influenciaram a disputa e, principalmente, discutir como o empresariado poderia se preparar para o novo contexto.

“A gente precisa entender o que aconteceu dentro da ciência política, quais são os fatores que mostram que a campanha do Lula mudou tanto do primeiro para o segundo turno. E o que o empresário quer saber é qual será o cenário daqui para frente e o que podemos fazer diante dele”, afirmou.

Da esquerda para a direita: o advogado Adler Martins, o analista político Anderson Nunes Correia e o estrategista eleitoral Roberto Reis (Foto Silvio Simões / Entremeios Comunicação)

A discussão também abordou questões econômicas e regulatórias que afetam diretamente a atividade empresarial. O analista político Anderson Nunes Correia destacou a reforma tributária, os debates sobre a redução da jornada de trabalho e a insegurança jurídica como fatores de preocupação para quem investe e gera empregos no país.

Para ele, a carga tributária e a instabilidade das regras dificultam o planejamento de longo prazo e desestimulam novos investimentos. Anderson defendeu a redução do peso do Estado sobre a atividade produtiva e apontou Goiás como exemplo de aproximação entre poder público e setor empresarial.

“O empresário quer investir no Brasil, quer aumentar sua capacidade produtiva, mas tem medo. É uma licença ambiental que não sai, uma autorização que pode ser cassada ou uma cobrança tributária que aparece anos depois. Ele precisa ter mais segurança jurídica”, afirmou analista político.

Apesar das críticas ao cenário nacional, Anderson ressaltou a capacidade de adaptação do empresariado brasileiro e a importância da articulação entre entidades representativas, federações e governos. Segundo ele, a atuação conjunta pode contribuir para um ambiente mais favorável aos negócios.

Já o advogado Adler Martins apresentou alternativas jurídicas e tributárias para empresas que buscam ampliar suas operações internacionais. Entre as possibilidades mencionadas estão estruturas empresariais no exterior, planejamento sucessório, proteção patrimonial e utilização de tratados internacionais para evitar a dupla tributação, sempre observadas as exigências legais.

Adler argumentou que a internacionalização pode representar uma estratégia de competitividade para empresas brasileiras, especialmente diante das mudanças no ambiente econômico e tributário. Os instrumentos internacionais podem permitir a redução da tributação sobre heranças, exportações e operações comerciais, além de oferecer mecanismos de proteção patrimonial”, explicou.

A analista do Sebrae e gestora do Programa Plural, da Regional Central, Alice Galvão, abordou o tema Pluralidade que empreende: o poder das conexões entre gerações (Foto Divino Batista / Entremeios Comunicação)

Conexões entre gerações ganham destaque na unidade móvel do Sebrae

A unidade móvel do Sebrae abriu espaço para que chamaram atenção de homens e mulheres. Entre as atividades, a palestra da analista Alice Galvão, que também é gestora do Programa Plural, da Regional Central do Sebrae, em Goiânia, com o tema Pluralidade que empreende: o poder das conexões entre gerações, que destacou a importância de superar estereótipos e valorizar experiências de profissionais de diferentes idades.

A atividade integrou as discussões do Programa Plural, do Sebrae Goiás, e abordou como as diferenças geracionais podem contribuir para a inovação, a gestão de negócios e a formação de equipes mais colaborativas. Alice chamou a atenção para os rótulos frequentemente atribuídos às diferentes gerações, como a ideia de que profissionais mais velhos resistem às mudanças ou de que os jovens da geração Z são impulsivos, excessivamente exigentes ou pouco preparados para determinadas responsabilidades.

“Será que a pessoa mais velha é sempre mais sábia? Será que ela tem medo de mudança? Será que os mais jovens são realmente tão impulsivos? Ou será que precisamos olhar para as pessoas um pouco além desses estereótipos?”, questionou. Segundo a palestrante, as experiências vividas em diferentes períodos históricos influenciam comportamentos e percepções, mas não devem ser utilizadas isoladamente para definir a capacidade de um profissional ou empreendedor.

Ela destacou que a diversidade geracional pode se transformar em vantagem competitiva quando as lideranças reconhecem as habilidades individuais e criam oportunidades de aprendizado e colaboração entre pessoas de diferentes faixas etárias. Outro ponto abordado foi a relação entre idade e domínio das ferramentas digitais. Alice observou que pertencer a uma geração que cresceu conectada à internet não significa necessariamente dominar tecnologias utilizadas na gestão empresarial.

“Um jovem de 17 ou 18 anos pode saber tudo de redes sociais, mas não necessariamente de inteligência artificial, Excel ou sistemas de gestão. Precisamos ampliar esse olhar e entender quais são as habilidades e competências de cada pessoa”, explicou. A palestrante também relacionou o desenvolvimento profissional ao planejamento estratégico, à capacitação contínua e à clareza de objetivos.

Para ela, tanto profissionais que buscam uma colocação no mercado quanto empreendedores que desejam fortalecer seus negócios precisam identificar onde querem chegar e quais conhecimentos devem adquirir. Nesse processo, a formação oferecida por instituições como o Sebrae pode contribuir para a construção de currículos e portfólios profissionais mais alinhados às necessidades do mercado.

Alice ressaltou, ainda, que a responsabilidade pelo desenvolvimento não deve ser atribuída exclusivamente às empresas ou aos contratantes. Cada profissional precisa assumir um papel ativo na própria trajetória, buscando conhecimento e aprimoramento.

A designer de estampas Cleia Souza, com mais de 30 anos de experiência no setor, apresentou a palestra Da criação à reposição (Foto Divino Batista / Entremeios Comunicação)

Da criação à reposição: estamparia como estratégia de negócios

A designer de estampas Cleia Souza, com mais de 30 anos de experiência no setor, apresentou a palestra Da criação à reposição, mostrando como a estamparia pode participar de todas as etapas de desenvolvimento de um produto, desde a concepção da identidade visual até a aceitação pelo consumidor e a continuidade das vendas.

Ela destacou que uma estampa precisa ir além da beleza, considerando o perfil do público, o posicionamento da marca, os custos de produção e a viabilidade comercial. Para ilustrar, apresentou a experiência da Solle Brend, marca que começou vendendo em marketplace, testou diferentes estampas e utilizou a resposta dos consumidores para orientar novos lançamentos. Com a boa aceitação de uma criação exclusiva, a empresa ampliou sua aplicação para outras peças, como vestidos, blusas e roupas infantis.

A palestrante também abordou os desafios de acompanhar o crescimento das vendas, especialmente quando a procura supera a capacidade de produção. No caso apresentado, dificuldades para encontrar costureiras e repor mercadorias comprometeram inicialmente o desempenho comercial, exigindo maior planejamento. Cleia contou que, em situações específicas, sua empresa consegue atender pedidos urgentes de reposição em até 24 horas.

Outro exemplo foi o atendimento à Copalimpa, que exigiu soluções para produtos de decoração e utilidades domésticas. Ao defender uma atuação que ultrapassa o fornecimento de estampas prontas, a designer resumiu sua filosofia de trabalho: “Não entregamos apenas estampas. Construímos soluções e ajudamos a transformar ideias em oportunidades comerciais”.

A empresária Miriam Alves Soares, conhecida como Miriam Thyoco, apresentou a evolução do jeans (Foto Silvio Simões / Entremeios Comunicação)

Empreendedorismo e inovação na trajetória do jeans

A empresária Miriam Alves Soares, conhecida como Miriam Thyoco, apresentou a evolução do jeans e mostrou como um tecido originalmente associado ao trabalho pesado se transformou em um dos principais produtos da indústria da moda. À frente da marca Thyioco, que completou 30 anos, ela compartilhou experiências de sua trajetória e explicou as transformações nas modelagens, lavagens, tecidos e acabamentos.

Durante a apresentação, colocou diferentes amostras nas mãos dos participantes para demonstrar as características do denim e destacou o papel de detalhes como os rebites, utilizados para reforçar as peças, mas que também passaram a contribuir para sua identidade visual. A empresária usou esse exemplo para provocar uma reflexão sobre inovação: “O que eu posso melhorar no meu tecido, no que eu faço? Qual é o rebite que vou colocar para me dar uma mudada?”.

Miriam também contou que aprendeu a costurar na prática, influenciada pela mãe, que era costureira, e que a empresa nasceu na mesa da cozinha de sua casa. Ao relembrar as dificuldades de construir e manter uma marca própria, destacou a necessidade de ousadia, persistência e capacidade de adaptação às mudanças do mercado.

Para ela, o empreendedor não pode ficar esperando indefinidamente por condições favoráveis para colocar seus projetos em prática. “Nós precisamos ter ousadia para fazer nossa marca, fazer nosso diferencial. E persistência, resiliência. Quem persiste, quem resiste aos processos do mercado, consegue sobreviver”, afirmou.

Encerrando as atividades, a analista técnica do Sebrae Goiás Beatriz Dornelles, que também é Embaixadora do Empreendedorismo Feminino da Regional Central do Sebrae, em Goiânia, abordou a importância da imagem pessoal na construção da credibilidade profissional (Foto Fredox Carvalho / Entremeios Comunicação)

Imagem pessoal e valorização da moda goiana

Encerrando as atividades, a analista técnica do Sebrae Goiás Beatriz Dornelles, que também é Embaixadora do Empreendedorismo Feminino da Regional Central do Sebrae, em Goiânia, abordou a importância da imagem pessoal na construção da credibilidade profissional e no relacionamento com os clientes. Integrante de projetos de moda e empreendedorismo feminino da instituição, ela destacou que a maneira de se apresentar deve considerar o ambiente, a atividade exercida e a identidade de cada pessoa, sem abrir mão do conforto e do estilo próprio.

Durante a palestra, utilizou exemplos de roupas esportivas, jeans, uniformes e produções mais formais para demonstrar como uma mesma peça pode assumir diferentes propostas. “A competência técnica é o conteúdo, a sua imagem é a embalagem”, afirmou, ao explicar que aparência, postura e comunicação contribuem para a percepção transmitida ao público.

Beatriz também defendeu a valorização das marcas goianas como forma de fortalecer a cadeia produtiva da moda no Estado. Ela contou que procura utilizar roupas e acessórios de empreendedores locais em eventos profissionais, inclusive em participações fora de Goiás, como na São Paulo Fashion Week.

A analista ressaltou que conhecer e divulgar os produtos dos empresários atendidos pelo Sebrae também faz parte de seu trabalho. Ao mencionar a presença de marcas goianas na loja da instituição durante a feira, destacou a importância de transformar a própria apresentação em uma oportunidade de dar visibilidade aos negócios locais.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106

Na Regional Central | Goiânia: Agência Entremeios Comunicação / Adrianne Vitoreli – (62) 98144-2178

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