
Quando assumiu a Loja Archanji, em Rio Verde, Graziela Archanji Egg, 31 anos, já conhecia bem o balcão, os clientes e a rotina de vendas. A empresa havia sido fundada pela irmã, responsável pela administração nos três primeiros anos. Graziela trabalhava como vendedora até decidir assumir o negócio, levando adiante o estoque existente e também as dívidas acumuladas.
Na prática, passou a tocar quase tudo sozinha. Como sócia-proprietária, cuidava das compras, do atendimento, da equipe, do marketing e ainda tentava acompanhar as finanças. O marido, Jander Edmar Dutra dos Santos, 39 anos, engenheiro agrônomo e empresário do ramo agrícola, acompanhava a trajetória de perto, mas ainda não participava diretamente da administração da loja.

No começo, o desafio era manter as portas abertas. Os financiamentos chegavam perto de R$ 10 mil por mês, o fluxo de clientes ainda era pequeno e os custos fixos pesavam no caixa. “No começo, eu achei que não daria certo. Tínhamos custos muito altos, vendíamos pouco e ainda estávamos formando nossa carteira de clientes”, relembra Graziela.
Com o tempo, a loja ganhou força. Novas marcas chegaram, os clientes aumentaram e o negócio, especializado em produtos para profissionais de nail design, passou a ocupar um espaço mais consolidado no mercado. Mas o crescimento trouxe uma dor diferente.
Depois de viver a dificuldade de trabalhar em uma loja onde faltavam produtos, Graziela decidiu que isso não poderia mais acontecer. A nova fase da empresa precisava ter variedade, estoque e pronta entrega. Só que, sem um controle mais preciso, a solução virou problema. “Eu queria que tivesse de tudo. Comprava muito porque tinha medo de faltar mercadoria. Só que, sem perceber, perdi o controle das compras”, conta.

Foi então que ela e Jander decidiram reorganizar a gestão. A divisão de responsabilidades ficou mais clara: Graziela continuaria à frente das compras, do marketing e da equipe, enquanto o marido passaria a atuar de forma mais direta na área administrativa e financeira. A mudança coincidiu com o início do acompanhamento do Sebrae Goiás e marcou uma nova fase para a empresa.
O ALI como porta de entrada para a mudança
A Loja Archanji passou a participar do Programa Agentes Locais de Inovação (ALI), iniciativa do Sebrae que oferece acompanhamento especializado para apoiar pequenos negócios na identificação de gargalos e na implantação de melhorias práticas em áreas estratégicas da empresa.
No caso da Loja Archanji, o atendimento pelo ALI foi conduzido pela agente local de inovação Kelly Maia, com foco em marketing, presença digital e organização de ações voltadas ao relacionamento com o público. Entre as contribuições esteve a análise do perfil da empresa no Instagram, com orientações para melhorar a comunicação da marca e fortalecer a atuação nas redes sociais.
Para Graziela, o processo também ampliou a forma como ela enxergava o próprio negócio. Depois de anos fazendo tudo ao mesmo tempo, passou a perceber que crescer exigia mais do que esforço diário. Exigia método, divisão de funções e clareza sobre os próximos passos. “O pequeno empreendedor acaba tentando cuidar de todas as áreas ao mesmo tempo. Chega uma hora em que você fica sufocado e deixa de pensar no futuro. Hoje consigo delegar, planejar e tomar decisões com muito mais segurança”, afirma.
As mudanças também chegaram à rotina da equipe. Metas que antes eram acompanhadas apenas no fim do mês passaram a ser observadas semanalmente, permitindo ajustes mais rápidos no atendimento, nas vendas e na organização interna da loja.
Quando lucro não significa dinheiro em caixa
Enquanto o ALI apoiava melhorias ligadas à gestão, ao marketing e à rotina comercial, o casal também contou com o acompanhamento financeiro conduzido pelo consultor Daniel Otávio Alves, por meio do Programa Conexão Financeira, do Sebrae Goiás. Nessa etapa, uma questão central evidenciou que a Loja Archanji era lucrativa, mas tinha parte significativa do dinheiro parada no estoque.
Segundo Daniel, a situação é comum em empresas do varejo. O negócio vende, tem margem e apresenta resultado positivo, mas perde fôlego financeiro quando compra acima da real necessidade. O dinheiro que deveria fortalecer o caixa acaba imobilizado em mercadorias. “O problema não era a falta de lucro. A empresa tinha resultado positivo, mas não tinha capital de giro disponível porque comprava muito acima da necessidade”, explica Daniel.

O diagnóstico mostrou que, enquanto a empresa tinha um custo de mercadoria vendida em torno de R$60 mil por mês, chegava a comprar aproximadamente R$100 mil em produtos no mesmo período. A diferença alimentava o estoque, mas apertava o caixa. Com base nesses dados, o trabalho foi construir, junto com Graziela e Jander, um orçamento mensal para compras, considerando o volume efetivamente vendido. A empresa passou a comprar com mais planejamento, sem deixar faltar produto e sem comprometer o dinheiro necessário para manter a operação. “Foi quando entendemos que nem todo dinheiro que entra é para comprar mercadoria. Hoje cada valor já tem um destino definido”, resume Graziela.
Daniel também conta que os resultados apareceram em poucos meses. “Em março de 2026, o estoque da Loja Archanji era de aproximadamente R$ 320 mil. No início de junho, esse valor havia caído para cerca de R$ 200 mil, uma redução de aproximadamente R$ 120 mil em capital que antes estava parado em mercadorias”, explica o consultor. A mudança expandiu o caixa e trouxe mais previsibilidade para a empresa. Além de organizar as compras, o casal conseguiu separar com mais clareza o que pertence ao negócio e o que pertence aos sócios.
Com a reorganização, a empresa passou a definir valores específicos para compras, despesas, investimentos e remuneração dos proprietários. Segundo Daniel, isso permitiu que Graziela e Jander alcançassem um marco importante: fazer a divisão de lucro da loja de forma estruturada, algo que ainda não havia acontecido desde que assumiram o negócio.
Para Graziela, o processo mudou a relação dela com a empresa. “Depois de quatro anos administrando a loja de forma intuitiva, hoje sinto que estamos preparados para crescer. Aprendemos a organizar a casa antes de dar o próximo passo. Isso fez toda a diferença”, conclui a empresária.
SERVIÇO
Archanji
Instagram: @lojaarchanji
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