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Manter dívidas sob controle é essencial ao pequeno negócio

Renegociação correta permite acesso ao crédito e promove o equilíbrio financeiro
Por Natalia Nuñez, de Goiânia
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Quando a família está endividada, muda a forma de consumir. As pessoas passam a comprar menos, pesquisar mais, adiar decisões e priorizar apenas o essencial. O próprio Banco Central cita que, em dezembro de 2024, cerca de 77% das famílias brasileiras estavam endividadas, com 29,1% em atraso e 12,7% dizendo que não conseguiam pagar suas dívidas. “Esse cenário reduz o fôlego do consumo justamente onde o pequeno negócio mais sente: no caixa do dia a dia”, comenta George Gustavo Toledo, gestor do Programa Conexão Financeira, da Unidade de Soluções do Sebrae Goiás.

Em muitos casos as finanças pessoais ainda se misturam às da empresa, especialmente entre os pequenos. O Banco Central registrou que muitos microempreendedores individuais (MEI) usam contas de pessoa física para movimentar recursos do negócio e que, ainda segundo os dados de dezembro de 2024, menos da metade mantinha relacionamento por conta PJ. “Isso mostra que, para uma parte relevante dos empreendedores, o problema do orçamento doméstico acaba batendo diretamente na operação da empresa”, diz.

Ele explica que em operações de crédito, instituições financeiras costumam olhar não apenas o CNPJ, mas também a situação do CPF dos sócios ou do titular. O Sebrae informa, em sua trilha de crédito assistido, que não pode haver restrição no CNPJ nem no CPF dos sócios para determinados acessos ao crédito, destacando, entre os requisitos para tomar crédito, a necessidade de possuir cadastro sem restrições, manter bom relacionamento com a instituição financeira e oferecer informações confiáveis.

Toledo alerta que, no caso do MEI, essa ligação é ainda mais sensível. Pela regulamentação federal, o MEI é o empresário a que se refere o art. 966 do Código Civil, ou seja, sua atuação empresarial está diretamente conectada à pessoa física que o constitui. Por isso, o problema não é pensar que “o nome sujo acaba com a empresa”, mas entender que ele pode dificultar crédito, renegociação, prazos melhores e até a confiança comercial.

No processo de renegociação o erro mais comum é fazê-lo sem diagnóstico. Toledo conta que muita gente negocia sem saber exatamente quanto deve, quanto consegue pagar por mês, quais dívidas são mais caras e qual parcela cabe no fluxo de caixa. Outro erro frequente é trocar uma dívida por outra sem comparar custo efetivo, prazo e impacto no capital de giro. Há também quem renegocie só para “ganhar tempo”, mas sem corrigir a desorganização que gerou a dívida. Desse modo, a empresa respira por pouco tempo e volta a se apertar. O Sebrae trata a renegociação como um processo que precisa de estratégia, e os cursos de finanças reforçam que o planejamento financeiro é a base para decisões mais seguras.

Outro ponto delicado é usar crédito caro para apagar incêndio recorrente. O Banco Central alerta que a ampliação do crédito sem compreensão adequada das ofertas e sem gestão correta expõe pessoas e negócios à vulnerabilidade ao superendividamento. Por isso, renegociar bem não é apenas alongar prazo; é reorganizar a lógica financeira da empresa.

Renegocie corretamente

  • Levante a fotografia real da empresa: valor total devido, credores, juros, multas, garantias, parcelas vincendas e impacto no caixa. Depois separe as dívidas por prioridade: o que bloqueia operação, o que ameaça crédito, o que compromete fornecedor estratégico e o que pode ser renegociado com mais calma. Só então proponha renegociar.
  • Uma boa renegociação precisa partir de uma parcela possível, e não de uma parcela desejada. Vale pedir redução de juros e multas, alongamento de prazo, pausa inicial quando necessária e consolidação de débitos quando isso simplifica a gestão. Também é importante formalizar tudo por escrito e revisar se o acordo preserva o capital de giro.
  • Por meio do Conexão Financeira, o empresário ainda pode recorrer ao Programa de Conciliação para Pequenos Negócios, parceria entre Sebrae e TJ-GO, pensado justamente para buscar soluções mais rápidas e menos burocráticas em conflitos e cobranças.

Saiba mais sobre soluções do Conexão Financeira: https://www.sebraego.com.br/financas

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106

Na Regional Central | Goiânia: Agência Entremeios Comunicação / Adrianne Vitoreli – (62) 98144-2178

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